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	<title>Criminalização Archives - Debates Indígenas</title>
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	<description>Revista digital que se propone abordar las luchas, conquistas y problemáticas de los pueblos indígenas</description>
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		<title>Silenciando as vozes indígenas na Rússia: operações policiais contra defensores e a erradicação do ativismo indígena</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Debates Indígenas]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 00:55:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Criminalização]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Realizadas simultaneamente, as operações policiais representaram uma das maiores ofensivas contra o ativismo indígena independente na história recente da Rússia. Tornaram-se, portanto, um passo significativo na estratégia das autoridades russas para silenciar qualquer grupo de base que se recusasse a alinhar-se com a narrativa estatal. O caso da defensora dos direitos humanos Selk'uk, Daria Egereva, chocou a comunidade internacional.</p>
<p>The post <a href="https://debatesindigenas.org/pt/2026/04/01/silenciando-as-vozes-indigenas-na-russia-operacoes-policiais-contra-defensores-e-a-erradicacao-do-ativismo-indigena/">Silenciando as vozes indígenas na Rússia: operações policiais contra defensores e a erradicação do ativismo indígena</a> appeared first on <a href="https://debatesindigenas.org/pt">Debates Indígenas</a>.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 17 de dezembro de 2025, os serviços de segurança russos lançaram uma operação coordenada contra 17 líderes indígenas em diversas regiões do país. Valentina Sovkina, proeminente defensora dos direitos do povo Sami na região de Murmansk e membro do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas, foi uma das pessoas que tiveram suas casas invadidas. <a href="https://vot-tak.tv/90961510/aresty-zashchitnikov-korennykh-narodov-rf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ela se lembra de ter sido acordada por batidas na porta de seu apartamento em Lovozero e, quando abriu a porta, cinco homens e duas mulheres (alguns com os rostos cobertos) invadiram sua casa sem se identificar.</a> Somente após repetidas insistências, os agentes apresentaram um mandado e reconheceram que eram policiais.</p>



<p>Quando Valentina reivindicou seu direito de contatar um advogado, os agentes rejeitaram o pedido, alegando que “não se tratava de uma batida policial, mas de uma inspeção”. Em seguida, exigiram as senhas de acesso aos seus telefones, computadores e discos rígidos externos, que ela se recusou a fornecer. A operação durou quatro horas e terminou com a confiscação de todos os seus dispositivos. Valentina foi uma das mais sortudas: evitou a prisão e conseguiu deixar o país. <a href="https://www.thebarentsobserver.com/democracy-and-media/they-decided-to-come-after-us-almost-like-in-1937/446705" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Desde então, ela denuncia o que considera uma campanha de repressão contra os povos indígenas na Rússia, que lembra a perseguição aos líderes indígenas durante a ditadura de Josef Stalin na primeira metade do século XX</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="577" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-1-1024x577.jpg" alt="" class="wp-image-17920" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-1-1024x577.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-1-300x169.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-1-768x432.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-1-1536x865.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-1.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Valentina Sovkina, defensora dos direitos do povo Saami conseguiu sair da Rússia e, do exílio, denuncia uma campanha de repressão contra os povos indígenas do país. <strong>Foto: </strong>Valentina Sovkina</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>De defensor dos direitos indígenas a prisioneiro político</strong></h3>



<p>As operações resultaram na prisão de dois ativistas. <a href="https://www.daria-egereva.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Uma delas é Daria Egereva, uma mulher Selkup da Sibéria Ocidental, cujo caso gerou indignação internacional dentro do movimento indígena</a>. As autoridades a acusam de &#8220;pertencer a uma organização terrorista&#8221;, acusações amplamente consideradas fabricadas. Ao criminalizar o ativismo pacífico, as autoridades buscam apagar narrativas que divergem do discurso aprovado pelo Estado. Se condenada, Daria pode pegar até 20 anos de prisão, uma pena que, dada a brutalidade bem documentada do sistema prisional russo, poderia equivaler, na prática, a uma sentença de prisão perpétua.</p>



<p>Daria tem uma longa trajetória na defesa dos direitos indígenas. Seguindo os passos de sua mãe, ela se envolveu nessa área ainda na universidade. Por mais de duas décadas, trabalhou incansavelmente para empoderar jovens Selkup e de outros povos indígenas em toda a Rússia, incentivando-os a se orgulhar de sua herança cultural, a compreenderem e reivindicarem seus direitos e a participarem do movimento indígena global. Para muitos jovens ativistas, Daria se tornou um modelo e mentora — um exemplo de liderança comunitária.</p>



<p>Ao longo da última década, Daria consolidou-se como uma das representantes indígenas mais reconhecidas da Rússia nos processos globais relacionados ao clima e à biodiversidade. Como especialista técnica em mudanças climáticas, ocupou cargos de liderança no Fórum Internacional dos Povos Indígenas sobre Mudanças Climáticas (IIPFCC) e, desde 2023, atua como uma de suas copresidentes. Ela também contribuiu ativamente para a Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP) no âmbito da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB), do Mecanismo de Especialistas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (EMRIP) e do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Questões Indígenas (UNPFII).</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="destacado pc-only">A prisão de Daria Egereva sinaliza uma tendência preocupante: o uso dalegislação russa contra o extremismo e o terrorismo para reprimir a sociedade civil independente, incluindo movimentos indígenas.</p>
</blockquote>



<p class="destacado cel-only">A prisão de Daria aponta para uma tendência preocupante: o uso de legislação anti-extremista e antiterrorista para reprimir a sociedade civil independente.</p>
</blockquote>



<p>Apesar de seu extenso trabalho internacional, Daria manteve-se profundamente ligada à sua própria comunidade. Durante anos, ela foi uma defensora ferrenha da proteção da cultura Selkup e da implementação dos direitos indígenas reconhecidos na legislação russa. Seus esforços incluíram a promoção do uso da língua selkup, ameaçada de extinção, como língua de instrução nas escolas, o apoio a redes de mulheres indígenas empreendedoras, e o fortalecimento da participação da comunidade em decisões que afetam o território, a cultura e os meios de subsistência.</p>



<p>Nada nas atividades de Daria sugere qualquer promoção de violência ou ações subversivas. Pelo contrário, manteve um diálogo construtivo com as autoridades locais e, internacionalmente, participou dos mesmos mecanismos e processos das Nações Unidas nos quais o próprio governo russo está envolvido. A principal diferença é que Daria representava uma voz independente, que desafiava a imagem idealizada do bem-estar indígena promovida pelas autoridades russas e seus aliados. Sua prisão sinaliza uma tendência preocupante: o uso da legislação russa antiextremismo e antiterrorismo para reprimir a sociedade civil independente, incluindo os movimentos indígenas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="792" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-2-1024x792.jpeg" alt="" class="wp-image-17921" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-2-1024x792.jpeg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-2-300x232.jpeg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-2-768x594.jpeg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-2-1536x1188.jpeg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Rusia-Abril-2026-2.jpeg 1600w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>O<strong> </strong>povo Selkpu celebrando o festival das pequenas aldeias na região de Tomsk. <strong>Foto: </strong>Olga Kostrova</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Quando a única voz é a do Estado</strong></h3>



<p>As incursões de dezembro não foram um incidente isolado, mas parte de uma crescente estrutura de repressão contra os povos indígenas da Rússia. <a href="https://iwgia.org/en/russia/3903-indigenous-activism-in-russia-what-s-next.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Após um breve período de liberalização e democratização, do final da década de 1980 ao início dos anos 2000, durante o qual floresceu um movimento indígena independente, as autoridades começaram a intensificar o controle na década de 2010.</a> Essa mudança se acelerou drasticamente após a decisão do presidente Vladimir Putin de invadir a Ucrânia — uma medida que teve consequências devastadoras para as comunidades indígenas, que perderam um grande número de jovens para a mobilização nas linhas de frente.</p>



<p>Nesse clima autoritário, ativistas indígenas enfrentam vigilância, assédio judicial e pressão constante para se desvincularem dos mecanismos internacionais de direitos humanos. Não é coincidência que as batidas policiais de 17 de dezembro tenham ocorrido logo após Daria Egereva e outros ativistas retornarem da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP) no Brasil. A escala, o momento e a coordenação da operação apontam para um esforço deliberado para eliminar os últimos espaços remanescentes de organização indígena autônoma. O resultado foi imediato. Os ativistas ou passaram a se manter discretos ou deixaram o país. Aqueles que permaneceram são forçados a enfrentar uma escolha impossível: silêncio e submissão às autoridades, ou criminalização.</p>



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<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p id="destacado-pc-pnly">O presidente da Associação Russa dos Povos Indígenas do Norte (RAIPON) recusou-se explicitamente a expressar solidariedade aos ativistas cujas casas foram invadidas e repetiu a versão oficial que insinua seu suposto envolvimento em atividades extremistas.</p>
</blockquote>



<p class="destacado cel-only">O presidente da RAIPON se recusou a expressar solidariedade aos ativistas vítimas da operação policial e repetiu a versão oficial que insinua o suposto envolvimento deles em atividades extremistas.</p>
</blockquote>



<p>Com o silenciamento das vozes indígenas independentes, a Associação Russa dos Povos Indígenas do Norte (RAIPON), controlada pelo governo russo, emerge como a voz dominante. Ou melhor, a única voz oficialmente permitida para os povos indígenas do país. A liderança da RAIPON, selecionada desde 2013 sob supervisão governamental, mantém laços estreitos com grandes empresas extrativistas, incluindo <a href="https://debatesindigenas.org/2025/05/01/del-niquel-al-litio-nornickel-derechos-indigenas-y-el-dilema-de-la-economia-verde-en-el-artico/">a Nornickel</a>, um dos conglomerados industriais mais poluentes do mundo. Suas atividades afetam terras e águas indígenas há anos, além de destruir os meios de subsistência das comunidades da Rússia.</p>



<p>Em consonância com o governo, a RAIPON jamais critica políticas estatais ou abusos corporativos que afetam comunidades indígenas. Em um <a href="https://indigenous-russia.com/archives/45718" target="_blank" rel="noreferrer noopener">comunicado divulgado seis semanas após as batidas policiais de dezembro</a>, o presidente da RAIPON recusou-se explicitamente a expressar solidariedade aos ativistas cujas casas foram invadidas e repetiu a versão oficial que insinua seu suposto envolvimento em atividades extremistas — uma postura que gerou indignação entre diversos líderes indígenas em âmbito internacional.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="801" height="1024" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-03-31-at-12.15.47-801x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-17922" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-03-31-at-12.15.47-801x1024.jpeg 801w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-03-31-at-12.15.47-235x300.jpeg 235w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-03-31-at-12.15.47-768x981.jpeg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-03-31-at-12.15.47-1202x1536.jpeg 1202w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/WhatsApp-Image-2026-03-31-at-12.15.47.jpeg 1252w" sizes="(max-width: 801px) 100vw, 801px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>As incursões de dezembro de 2025 apontam para um esforço deliberado para eliminar os últimos espaços de organização indígena autônoma e ocorreram após o retorno de Daria e outros ativistas da COP climática. </em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O golpe final?</strong></h3>



<p>Para aqueles que viram seus lares invadidos, seus dispositivos confiscados e seus entes queridos detidos, isso foi mais do que uma operação legal: foi uma mensagem. Como destacou Valentina Sovkina, defensora dos direitos humanos do povo Sami, as autoridades russas têm optado por métodos particularmente brutais para silenciar ativistas pelos direitos dos povos indígenas que defendem pacificamente seu ambiente ancestral, seus meios de subsistência e sua cultura.</p>



<p>Os ataques de 17 de dezembro poderão muito bem ser lembrados como o momento em que o movimento indígena independentista na Rússia foi levado à beira da extinção. No entanto, a coragem daqueles que continuam a erguer suas vozes, seja no exílio ou sob ameaça em seu próprio país, nos lembram que a luta pelos direitos dos povos indígenas na Rússia não acabou. Suas vozes, embora perseguidas, continuam sendo uma parte vital da comunidade global de direitos humanos.</p>



<p><strong>Devido à atual situação política no país, os autores preferem permanecer anônimos.</strong></p>
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