<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?><rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Energía verde Archives - Debates Indígenas</title>
	<atom:link href="https://debatesindigenas.org/pt/etiqueta/energia-verde-pt/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>https://debatesindigenas.org/pt/etiqueta/energia-verde-pt/</link>
	<description>Revista digital que se propone abordar las luchas, conquistas y problemáticas de los pueblos indígenas</description>
	<lastBuildDate>Mon, 05 May 2025 16:18:34 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
	<sy:updatePeriod>
	hourly	</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>
	1	</sy:updateFrequency>
	<generator>https://wordpress.org/?v=6.9</generator>

<image>
	<url>https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2023/12/cropped-favicon-32x32.png</url>
	<title>Energía verde Archives - Debates Indígenas</title>
	<link>https://debatesindigenas.org/pt/etiqueta/energia-verde-pt/</link>
	<width>32</width>
	<height>32</height>
</image> 
	<item>
		<title>A luta da aldeia Atopo W+P+ contra uma central eléctrica na Guiana Francesa</title>
		<link>https://debatesindigenas.org/pt/2023/10/01/a-luta-da-aldeia-atopo-wp-contra-uma-central-electrica-na-guiana-francesa/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Melissa Sjabere]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Oct 2023 04:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Extrativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Energía verde]]></category>
		<category><![CDATA[Guiana Francesa]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://staging.debatesindigenas.org/2023/10/01/a-luta-da-aldeia-atopo-wp-contra-uma-central-electrica-na-guiana-francesa/</guid>

					<description><![CDATA[<p>No noroeste da Guiana, a aldeia Kali'na resiste à instalação de uma central eléctrica nas suas terras. Sem respeitar os direitos indígenas ao território, o Estado francês cedeu as terras à corporação HDF Energy e mobilizou um grande número de policiais armados. Os guerreiros Kali'na mantêm forte oposição e defendem a relocalização do projeto.</p>
<p>The post <a href="https://debatesindigenas.org/pt/2023/10/01/a-luta-da-aldeia-atopo-wp-contra-uma-central-electrica-na-guiana-francesa/">A luta da aldeia Atopo W+P+ contra uma central eléctrica na Guiana Francesa</a> appeared first on <a href="https://debatesindigenas.org/pt">Debates Indígenas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[<p><em>No noroeste da Guiana, a aldeia Kali&#8217;na resiste à instalação de uma central eléctrica nas suas terras. Sem respeitar os direitos indígenas ao território, o Estado francês cedeu as terras à corporação HDF Energy e mobilizou um grande número de policiais armados. Os guerreiros Kali&#8217;na mantêm forte oposição e defendem a relocalização do projeto.</em></p>
<p></p>
<p>Um cheiro pungente invade o ar. Lentamente, o sol se desvanece em um manto laranja e cinzas espalhado pelo céu. A leste de Atopo wipi, uma aldeia indígena Kali&#8217;na localizada a cerca de 15 quilômetros de Saint-Laurent-du-Maroni, o concerto da cigarra não pode mais ser ouvido. Os pássaros não cantam. Como outros animais, os pássaros fugiram devido à construção da <a target="blank" href="https://www.ceog.fr/" rel="noopener">Central Elétrica da Guiana Francesa Ocidental</a> (Centrale Électrique de l&#8217;Ouest Guyanais, CEOG). A empresa promete que será o maior armazenamento de hidrogênio do mundo.</p>
<p>Mais de 20 hectares foram arrancados das terras Kali&#8217;na. A exuberante floresta que existia há algumas semanas foi transformada em um deserto árido: a terra está coberta de cadáveres de pássaros e lagartos. Uma barricada de árvores mortas cerca a área: foram empilhadas por máquinas para dar lugar à futura central eléctrica. No céu, a fumaça se adensa e as cinzas rodopiam com mais força, impulsionadas pelo vento.</p>
<p>Os jovens “guerreiros” Kali&#8217;na, alguns com menos de 18 anos, atearam fogo às poucas toras espalhadas pelo chão para evitar o lucro da sua venda. Impotentes diante da destruição de suas terras, eles aproveitam uma pausa temporária nos trabalhos para fiscalizar a área. “É doloroso porque esta terra é como a nossa segunda mãe”, observa com tristeza um dos guerreiros.</p>
<div class="row mt-4 mb-2 pc-only">
<div class="col-md-12 mt-4 mb-2">                      <img decoding="async" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2024/01/659cf4974c341_253-foto2.jpg" alt="Imagen" class="img-fluid">                      </p>
<caption>
<p class="epigrafe text-muted">Os guerreiros kali&#8217;na recolhem as arvores mortas acumuladas e as queimam para evitar que a madeira de sua floresta seja vendida. <strong>Foto:</strong> Pierre Auzerau</p>
</caption></div>
</p></div>
<div class="row mt-4 mb-2 cel-only">
<div class="col-md-12 mt-4 mb-2">                      <img decoding="async" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2024/01/659cf49c658bd_253-foto2.jpg" alt="Imagen" class="img-fluid">                      </p>
<caption>
<p class="epigrafe text-muted">Os guerreiros kali&#8217;na recolhem as arvores mortas acumuladas e as queimam para evitar que a madeira de sua floresta seja vendida. <strong>Foto:</strong> Pierre Auzerau</p>
</caption></div>
</p></div>
<h3>Uma potência que se nega a reconhecer os direitos indígenas</h3>
<p>A aldeia Atopo (&#8220;povo das colinas&#8221;) foi criada quando um grupo de Kali&#8217;nas fugiu da guerra civil do Suriname há aproximadamente 40 anos. A aldeia está localizada em terras que historicamente pertenceram aos Kali&#8217;na e outros povos indígenas, até que, no início do século XVI, foram devastados pelas invasões europeias. Atualmente, Atopo Wipi abriga 230 pessoas, é a única aldeia que conseguiu resistir à urbanização e se destaca por ainda falar a língua Kali&#8217;na, mesmo entre os jovens.</p>
<p>Durante anos, os membros da comunidade tentaram alcançar a plena auto-sustentabilidade: foram construídas uma torre de água abastecida por uma nascente próxima e uma escola primária bilíngue que ensina em Kali&#8217;na e Francês; a moradia e os recursos alimentares são obtidos principalmente da terra; Além disso, um galinheiro e plantações de mandioca colaboram com a manutenção da comunidade. Embora planejassem construir um forno de pão, o caminho para a auto-sustentabilidade foi severamente dificultado pelo projeto da central eléctrica. Agora, os aldeões passam a maior parte do tempo defendendo suas terras</p>
<div class="row my-4 pc-only">
<div class="container col-lg-7" style="border-top: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid; border-bottom: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid;">
<p class="destacado">O mesmo que 95% das terras da  Guayana, o território de Atopo WiPi es propriedade do Estado francês já que, em 1946, foi assimilado como um departamento ultramarino da França e União Europeia.</p>
</p></div>
</p></div>
<div class="row my-4 cel-only">
<div class="container col-lg-7" style="border-top: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid; border-bottom: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid;">
<p class="destacado3">O território de Atopo WiPi es propriedade do Estado francês já que, em 1946, foi assimilado como um departamento ultramarino da França e União Europeia.</p>
</p></div>
</p></div>
<p>O terreno de 140 hectares onde a empresa de energia a hidrogénio pretende construir o CEOG foi originalmente atribuído pelo Gabinete Florestal Nacional. Apesar do apoio da França à Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas em 2007, o Estado rejeita o reconhecimento dos seus direitos distintos, citando fundamentos constitucionais. De acordo com a Constituição de 1958, a França é uma República “indivisível” que garante “a igualdade de todos os cidadãos perante a lei, sem distinção de origem, raça ou religião”.</p>
<p>Portanto, quando o lote de 140 hectares do território Atopo WiPi foi cedido à HDF Energy, o direito dos moradores ao Consentimento Livre, Prévio e Informado foi ignorado. Além disso, a empresa não era legalmente obrigada a considerar áreas além do raio de um quilômetro ao redor do futuro projeto. Assim como 95% das terras da Guiana, o território de Atopo Wipi  é propriedade do Estado francês desde que, em 1946, foi assimilado como departamento ultramarino da França e da União Europeia.</p>
<div class="row mt-4 mb-2 pc-only">
<div class="col-md-12 mt-4 mb-2">                      <img decoding="async" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2024/01/659cf4a17e04f_253-foto3.jpg" alt="Imagen" class="img-fluid">                      </p>
<caption>
<p class="epigrafe text-muted">O território de Atopo WiPi está localizado em uma vasta floresta rica em fauna e flora e que antigamente era assombrada. <strong>Foto:</strong> Pierre Auzerau</p>
</caption></div>
</p></div>
<div class="row mt-4 mb-2 cel-only">
<div class="col-md-12 mt-4 mb-2">                      <img decoding="async" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2024/01/659cf4a697688_253-foto3.jpg" alt="Imagen" class="img-fluid">                      </p>
<caption>
<p class="epigrafe text-muted">O território de Atopo WiPi está localizado em uma vasta floresta rica em fauna e flora e que antigamente era assombrada. <strong>Foto:</strong> Pierre Auzerau</p>
</caption></div>
</p></div>
<h3>A implantação da gendarmaria</h3>
<p>Os habitantes de Atopo Wipi reconhecem que a Guiana tem a necessidade de aumentar e diversificar a sua produção de energia, que atualmente se baseia num parque gerador de energia poluente e muito antigo. De fato, os 290.000 residentes do departamento ultramarino francês sofrem com cortes de energia e entendem que a implementação de projetos como o CEOG é necessária. No entanto, os moradores dizem que deveriam ter sido consultados porque a central fica a menos de dois quilómetros da aldeia e afeta locais de caça, pesca e banhos. Além disso, a área abriga seres terrestres importantes para os Kali&#8217;na, ao mesmo tempo que se cortariam árvores que eles consideram &#8220;sagradas&#8221;.</p>
<p>Dos 140 hectares atribuídos pelo Gabinete Florestal Nacional, 75 devem ser desmatados para o projeto HDF Energy e cerca de 16 hectares já foram devorados por escavadoras durante o inverno de 2022-2023. Uma por uma, as árvores foram derrubadas como gravetos, apesar da forte resistência dos guerreiros Kali&#8217;na que tentaram impedir fisicamente as escavadeiras. Após a sua firme oposição, o Estado francês enviou unidades da gendarmaria para abrir a passagem, o que resultou em confrontos.</p>
<p>Por sua vez, a prisão de <em>Yopoto</em> (chefe Kali&#8217;na) Roland Sjabere durante a madrugada de 24 de outubro de 2022 afetou profundamente a comunidade. Os confrontos persistiram até ao início de Março de 2023, quando o confronto escalou ao ponto em que os trabalhos foram interrompidos.</p>
<div class="row mt-4 mb-2 pc-only">
<div class="col-md-12 mt-4 mb-2">                      <img decoding="async" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2024/01/659cf4abb4611_253-foto4.png" alt="Imagen" class="img-fluid">                      </p>
<caption>
<p class="epigrafe text-muted"><strong>Esquerda:</strong> A floresta cheia de cartuchos de gás lacrimogênio, os quais foram recolhidos pelos kali&#8217;na para evitar a contaminação. <strong>Direita:</strong> A construção do CEOG contamina a terra e agua de que dependem em Atopo W+P+ <strong>Fotos:</strong> Pierre Auzerau</p>
</caption></div>
</p></div>
<div class="row mt-4 mb-2 cel-only">
<div class="col-md-12 mt-4 mb-2">                      <img decoding="async" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2024/01/659cf4b0cd0fa_253-foto4.png" alt="Imagen" class="img-fluid">                      </p>
<caption>
<p class="epigrafe text-muted"><strong>Esquerda:</strong> A floresta cheia de cartuchos de gás lacrimogênio, os quais foram recolhidos pelos kali&#8217;na para evitar a contaminação. <strong>Direita:</strong> A construção do CEOG contamina a terra e agua de que dependem em Atopo W+P+ <strong>Fotos:</strong> Pierre Auzerau</p>
</caption></div>
</p></div>
<h3>A resistência dos guerreiros kali&#8217;na</h3>
<p>Apesar de uma breve trégua, as operações foram retomadas em 16 de agosto de 2023, resultando numa situação desastrosa. Desde então, o número de máquinas e policiais se multiplicou. Os moradores relatam ver até oito escavadeiras por dia no local da usina, acompanhados por mais de 50 policiais e seguranças privados. Por outro lado, a resistência Kali&#8217;na é composta por 10 a 20 guerreiros.</p>
<p>Desde o início do projeto, 20 pessoas foram presas e detidas, incluindo guerreiros e pessoas não locais que prestam apoio. Um guerreiro Kali&#8217;na de 20 anos de Atopo W+p+ diz: “Me sinto estressado e perseguido: drones sobrevoam a aldeia à noite para nos monitorar, encontrámos câmaras escondidas e também fomos perseguidos por gendarmes com cães. “Alguns deles se camuflam na floresta para nos prender e até apontaram suas armas para nós”.</p>
<div class="row my-4 pc-only">
<div class="container col-lg-7" style="border-top: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid; border-bottom: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid;">
<p class="destacado2">Melissaa lembra das palavras do doretor de CEOG:” inclusive, mesmo que alguns de vocês tenham que morrer, CEOG continuará”.</p>
</p></div>
</p></div>
<div class="row my-4 cel-only">
<div class="container col-lg-7" style="border-top: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid; border-bottom: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid;">
<p class="destacado3">Melissaa lembra das palavras do doretor de CEOG:” inclusive, mesmo que alguns de vocês tenham que morrer, CEOG continuará”.</p>
</p></div>
</p></div>
<p>O governo francês esta designando recursos significativos para garantir a conclusão bem sucedida do projeto. “Eles têm gás lacrimogêneo, granadas de atordoamento e desmantelamento, mas também espingardas de bala de borracha”, descreve Melissa, sobrinha de Yopoto Sjabere. Ela se lembra das palavras do diretor da Central Elétrica da Guiana Francesa Ocidental: “inclusive, mesmo que alguns de vocês tenham que morrer, o CEOG continuará”. Para se protegerem, os guerreiros Atopo WiPi respondem usando pedras, paus e estilingues. Recentemente, começaram a fazer coquetéis molotov em resposta à brutalidade policial</p>
<p>“A central é motivo suficiente para ameaçar jovens com espingardas, perseguir e traumatizar uma cidade inteira, incluindo meninos e meninas?”, pergunta Melissa, irritada. Pelo menos três menores adoeceram e foram hospitalizados devido ao gás lacrimogêneo disparado pelos policiais, resultando em dores de cabeça e problemas respiratórios. “O médico aconselhou a apresentar queixa, mas sabemos que não terá sucesso porque o Estado apoia os gendarmes”, diz o guerreiro Kali&#8217;na, de 20 anos.</p>
<div class="row mt-4 mb-2 pc-only">
<div class="col-md-12 mt-4 mb-2">                      <img decoding="async" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2024/01/659cf4b5e91c3_253-foto5.jpg" alt="Imagen" class="img-fluid">                      </p>
<caption>
<p class="epigrafe text-muted">As arvores que estão marcadas logo serão cortadas. <strong>Foto:</strong> Pierre Auzerau</p>
</caption></div>
</p></div>
<div class="row mt-4 mb-2 cel-only">
<div class="col-md-12 mt-4 mb-2">                      <img decoding="async" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2024/01/659cf4bb0f653_253-foto5.jpg" alt="Imagen" class="img-fluid">                      </p>
<caption>
<p class="epigrafe text-muted">As arvores que estão marcadas logo serão cortadas. <strong>Foto:</strong> Pierre Auzerau</p>
</caption></div>
</p></div>
<h3>A recusa da solicitação de relocalização do projeto</h3>
<p>No início de Setembro, Yopoto Sjabere procurou proteger o seu povo da violência futura, propondo um acordo a Antoine Poussier, o <em>préfet</em> da Guiana (representante Estado). Sabendo que o direito do povo ao Consentimento livre, prévio e informado foi violado e que o Estado ignorou vários direitos territoriais dos habitantes (DNUDPI, Artigo 2 b, Artigo 26, entre outros), Roland Sjabere propôs ao Estado que o restante do projeto seja movido para o leste em vez de para o norte, conforme planejado originalmente. Este passo em frente foi dado para proteger o coração do território Atopo WiPi. A área sul do CEOG, já devorada pelas escavadoras, é delimitada a norte por um riacho que atravessa as terras do Atopo WiPi.  Proteger este limite natural tinha um duplo propósito e explica a resignação do Yopoto: este riacho não é apenas um ekupi dipo, local de banhos, mas a norte se encontram zonas de reunião e caça cruciais para a manutenção do modo de vida tradicional dos habitantes.</p>
<p>O pedido foi rejeitado na noite de 17 de setembro, causando consternação entre os moradores do Atopo WiPi. Após uma breve pausa, durante a qual os trabalhos foram temporariamente interrompidos enquanto o <em>préfet</em> analisava a solicitação de Yopoto, as operações de compensação do CEOG foram retomadas com maior intensidade perto da cidade. Os trabalhadores estão agora no local durante toda a semana sob forte vigilância e determinados a recuperar mais de um ano de atrasos causados ​​pelo Kali&#8217;na.</p>
<div class="row my-4 pc-only">
<div class="container col-lg-7" style="border-top: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid; border-bottom: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid;">
<p class="destacado2">&#8220;Muitos animais já desapareceram das nossas terras. Fugiram para o norte para escapar da construção e do gás lacrimogênio”.</p>
</p></div>
</p></div>
<div class="row my-4 cel-only">
<div class="container col-lg-7" style="border-top: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid; border-bottom: rgba(0, 0, 0, 0.452) 1px solid;">
<p class="destacado3">&#8220;Muitos animais já desapareceram das nossas terras. Fugiram para o norte para escapar da construção e do gás lacrimogênio”.</p>
</p></div>
</p></div>
<p>&#8220;Estamos muito tristes. Já estamos percebendo poluição no riacho, onde nadamos e bebemos quando estamos na floresta”, observa Melissa, uma guerreira Kali&#8217;na. A jovem de 22 anos, que está completando seu serviço cívico na associação municipal, também está preocupada com o declínio da vida animal e vegetal: “Muitos animais já desapareceram das nossas terras.  A onça que costumava viver nessas terras já se foi. Aves, lagartos, cutias, tatus e quatis morreram. As plantas que usamos para fins medicinais também estão desaparecendo”.</p>
<p>Os jovens Kali&#8217;na de Atopo W+p+ estão preocupados com o seu futuro. Embora o Estado francês devesse garantir que eles estão “livres de qualquer tipo de discriminação” (DNUDPI, Artigo 2), vários dos seus pedidos de formação profissional apresentados à Câmara Municipal de Saint-Laurent-du-Maroni foram rejeitados porque “vêm da Prospérité”. A associação da aldeia enfrentou uma situação semelhante ao tentar garantir financiamento estatal. É em situações como essa que a floresta ganha ainda mais importância, pois é “o que alimenta e cura o povo do Atopo WiPi”, explica Melissa. Foi isso que a manteve viva ao longo dos anos e continuará mantendo até ao fim: “Só posso agradecer a esta floresta. Isso me deu força. Quando estou na floresta, converso com ela, digo que não vou fazer mal e que estou ali pra protege-la”.</p>
<p></p>
<p><span class="text-bold">Pierre Auzerau é um pesquisador doutoral nos Departamentos de Antropologia e Estudos Indígenas da Universidade de Helsinque, Finlândia. Através de uma pesquisa inclusiva, seu projeto atual avalia e documenta a busca de reconhecimento legal dos povos indígenas da Guiana “Francesa”, concentrando na sua experiência e o uso das leis. Inspirado em perspectivas e teorias, seu trabalho se esforça para adotar práticas e métodos que desafiem as relações coloniais e raciais da pesquisa.</span></p>
<p><!-- Begin Mailchimp Signup Form --><!--End mc_embed_signup--></p>
<p>The post <a href="https://debatesindigenas.org/pt/2023/10/01/a-luta-da-aldeia-atopo-wp-contra-uma-central-electrica-na-guiana-francesa/">A luta da aldeia Atopo W+P+ contra uma central eléctrica na Guiana Francesa</a> appeared first on <a href="https://debatesindigenas.org/pt">Debates Indígenas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
	</channel>
</rss>
