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	<title>CIDH Archives - Debates Indígenas</title>
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	<description>Revista digital que se propone abordar las luchas, conquistas y problemáticas de los pueblos indígenas</description>
	<lastBuildDate>Tue, 07 Apr 2026 13:30:06 +0000</lastBuildDate>
	<language>pt-BR</language>
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	<title>CIDH Archives - Debates Indígenas</title>
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	<item>
		<title>Seis anos após a condenação da Argentina pela Corte por violação dos direitos indígenas</title>
		<link>https://debatesindigenas.org/pt/2026/04/01/seis-anos-apos-a-condenacao-da-argentina-pela-corte-por-violacao-dos-direitos-indigenas/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Morita Carrasco]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 01 Apr 2026 00:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Territorio]]></category>
		<category><![CDATA[Argentina]]></category>
		<category><![CDATA[Direitos Territoriais]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O Estado argentino continua a desconsiderar a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que determinou a delimitação, demarcação e titulação do território tradicionalmente utilizado pela Associação Lhaka Honhat, composta por cinco comunidades indígenas com ocupação histórica na região de Salta Chaco. A área total do território reivindicado foi demarcada com base em um mapa toponímico que identifica áreas de uso tradicional. Após um longo processo judicial iniciado em 1998, em 6 de fevereiro de 2020, a Corte condenou o Estado argentino por violar os direitos dos povos indígenas à propriedade comunitária, à identidade cultural, a um meio ambiente saudável, à alimentação adequada e ao acesso à água.</p>
<p>The post <a href="https://debatesindigenas.org/pt/2026/04/01/seis-anos-apos-a-condenacao-da-argentina-pela-corte-por-violacao-dos-direitos-indigenas/">Seis anos após a condenação da Argentina pela Corte por violação dos direitos indígenas</a> appeared first on <a href="https://debatesindigenas.org/pt">Debates Indígenas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Em 6 de fevereiro de 2020, a República Argentina foi condenada, pela primeira vez, pela Corte Interamericana de Direitos Humanos por violar os direitos indígenas. Trinta e seis anos antes, em 1984, um grupo de líderes dos povos Qom, Nivakle, Iyojwaja, Tapi&#8217; e Wichi, habitantes da região do Gran Chaco, solicitou ao governo provincial de Salta a reivindicação de seus territórios ancestrais: “Sabemos que, segundo a lei, temos direito a eles porque esta é a terra de nossos ancestrais. Eles viveram aqui muitos séculos antes da chegada dos primeiros colonizadores vindos do sul, entre 1902 e 1903.”</p>



<p>Essa reivindicação marcou o início da organização <em>Lhaka Honhat </em>(“nossa terra” na língua Wichi), que une todas as comunidades dos cinco povos que habitam o mesmo território. O pedido apresentado esclarece que não se trata de títulos individuais para cada comunidade, mas sim de um título único, sem divisões internas, em nome de todos. A história da luta de <em>Lhaka Honhat </em>começou formalmente em 1991, com a apresentação de um mapa topográfico que refletia as áreas tradicionalmente ocupadas, abrangendo uma área de 530.000 hectares. O pedido se baseia em fundamentos histórico e jurídico, fundamentados no direito internacional e nas normas nacionais que lhes são aplicáveis como povos indígenas.</p>



<p>A área, conhecida como lotes fiscais 55 e 14, era ocupada desde o início do século XX por famílias de pecuaristas não indígenas. Isso causou sérios danos ambientais, agravados pela exploração madeireira da floresta nativa, que ainda persiste. Desde então, as comunidades têm intensificado suas reivindicações por proteção junto ao Estado. Em 1992, <em>Lhaka Honhat </em>obteve seu status legal, uma exigência imposta pelo governo de Salta como condição para a titulação da terra, de acordo com o decreto 2609/91. O decreto estipulava a alocação de terras para ambos os grupos, sem considerar <a href="https://iwgia.org/es/recursos/publicaciones/2817-tierras-duras-historias-organizacion-y-lucha-por-el-territorio-en-el-chaco-argentino.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a reivindicação indígena baseada em argumentos, apresentado às autoridades juntamente com o mapa do território de uso tradicional</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="872" height="595" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-Portada.jpeg" alt="" class="wp-image-17960" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-Portada.jpeg 872w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-Portada-300x205.jpeg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-Portada-768x524.jpeg 768w" sizes="(max-width: 872px) 100vw, 872px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>A reivindicação da titularidade de seus territórios remonta a 1984 e se baseia em fundamentos históricos e jurídicos. <strong>Foto: </strong>Morita Carrasco</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Em defesa do território: o caminho legal</strong></h3>



<p>O decreto foi suspenso enquanto avançavam as obras do chamado &#8220;corredor bioceânico&#8221;, que visa conectar a Argentina ao Paraguai e, numa fase posterior (2026-2027), ao Brasil e ao Chile, com o objetivo de facilitar o comércio internacional entre o Mercosul e a Ásia. A primeira fase consistiu na construção de uma ponte internacional entre as comunidades de Misión La Paz (Argentina) e Pozo Hondo (Paraguai). Diante dessa nova situação, <em>Lhaka Honhat </em>decidiu entrar com uma ação judicial junto aos tribunais locais para defender os recursos naturais e exigir a realização de estudos de impacto ambiental.</p>



<p>Em 1996, durante 23 dias, mais de mil indígenas ocuparam a ponte para protestar publicamente contra a falta de consulta prévia, livre e informada. Eles também alertaram para o impacto que a movimentação de pessoas teria sobre suas terras tradicionais e as comunidades dos cinco povos indígenas, que cuidavam delas desde tempos imemoriais. O protesto terminou após a assinatura de um acordo no qual o governo provincial de Salta se comprometeu a conceder o título de propriedade das terras às comunidades.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="destacado pc-only">Da área total do território de uso tradicional, Lhaka Honhat decidiu deduzir 130.000 hectares que não são utilizados intensivamente, para sua titulação em favor das famílias crioulas.</p>
</blockquote>



<p class="destacado cel-only">Da área total do território de uso tradicional, Lhaka Honhat decidiu deduzir 130.000 hectares para sua titulação em favor das famílias crioulas.</p>
</blockquote>



<p>Mais uma vez, o governo de Salta não cumpriu seu compromisso, e <em>Lhaka Honhat </em>decidiu recorrer à justiça internacional. Em 1998, o Centro de Estudos Jurídicos e Sociais (CELS), representando a associação, apresentou uma queixa ao Sistema Interamericano de Direitos Humanos, delineando a reivindicação de títulos de propriedade. Além da queixa, o CELS anexou um relatório antropológico que descrevia, sob uma perspectiva histórica, a organização social, política e econômica das comunidades. Apresentou também um relatório ambiental, ratificado pela Administração de Parques Nacionais, sobre a condição dos lotes 55 e 14.</p>



<p>No âmbito da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), iniciou-se um processo de conciliação amigável entre o Estado e <em>Lhaka Honhat, </em>que resultou em mudanças substanciais em suas reivindicações iniciais. Por um lado, as comunidades concordaram em incluir famílias não indígenas na discussão, não como parte do processo judicial, mas como uma estratégia amigável para facilitar uma solução. Da área total de seu território tradicionalmente utilizado, <em>Lhaka Honhat </em>decidiu deduzir 130.000 hectares que não são intensamente utilizados, para fins de titulação em favor das famílias não indígenas.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="774" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-2-1024x774.jpeg" alt="" class="wp-image-17961" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-2-1024x774.jpeg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-2-300x227.jpeg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-2-768x580.jpeg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-2.jpeg 1240w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Em 1996, mais de mil indígenas protestaram durante 23 dias na Ponte da Missão La Paz-Pozo Hondo contra o avanço do projeto do &#8220;corredor bioceânico&#8221;. <strong>Foto: </strong>Morita Carrasco</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Audiência das partes e julgamento da Corte Interamericana de Direitos Humanos</strong></h3>



<p>Em 2006, a CIDH emitiu seu Relatório de Admissibilidade sobre a Denúncia e, posteriormente, em 2012, seu Relatório de Mérito, no qual reconheceu a violação dos direitos das comunidades e ordenou ao Estado argentino que fornecesse as reparações correspondentes dentro de um prazo que seria renovado 23 vezes. Finalmente, diante do descumprimento por parte do Estado, a CIDH decidiu encaminhar o caso à Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) em 2018.</p>



<p>Em 2019, o Tribunal convocou as partes (o Estado e <em>Lhaka Honhat</em>) para uma audiência na Costa Rica para ouvir os coordenadores da organização indígena e autoridades governamentais nacionais e provinciais, que apresentaram seus argumentos e responderam às perguntas formuladas pelos juízes. O Tribunal também solicitou laudos periciais, jurídicos e antropológicos, que foram incorporados à análise final.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="destacado pc-only">O Tribunal ordenou ao Estado argentino que, num prazo máximo de seis anos (2020-2026), &#8220;delimitasse, demarcasse e registrasse em nome de todas as comunidades uma superfície unificada, sem divisões internas, sob um único título&#8221;.</p>
</blockquote>



<p class="destacado cel-only">O Tribunal ordenou ao Estado que delimitasse, demarcasse e registrasse em nome de todas as comunidades uma área sem divisões internas, sob um único título.</p>
</blockquote>



<p>Como resultado dessa audiência, em 6 de fevereiro de 2020, <a href="https://www.cels.org.ar/web/wp-content/uploads/2025/02/LHAKA-HONHAT-La-lucha-por-el-territorio.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a Corte condenou o Estado argentino por violar os direitos dos povos indígenas</a>. <a href="https://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/seriec_400_esp.pdf">A Corte Interamericana de Direitos Humanos decidiu que o Estado argentino</a>: 1) violou o direito à propriedade comunitária indígena, bem como os direitos à identidade cultural, a um meio ambiente saudável, à alimentação adequada e à água; 2) não cumpriu sua obrigação de respeitar e garantir os direitos estabelecidos na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, em particular o Artigo 21 (direito à propriedade) em relação aos direitos à garantia e proteção judicial; o Artigo 23.1 (direitos políticos); e o Artigo 26 (direitos econômicos, sociais, culturais e ambientais); e 3) desrespeitou o Artigo 8.1 ao atrasar a resolução de um processo judicial e ao não adotar medidas eficazes para impedir atividades prejudiciais a esses direitos.</p>



<p>Em relação ao mérito da ação, o Tribunal ordenou ao Estado argentino que, em um prazo máximo de seis anos (2020-2026), “delimitasse, demarcasse e registrasse título a uma área unificada, sem divisões internas, em nome de todas as comunidades, sob um único título”. Ordenou ainda diversas medidas reparatórias: abster-se de realizar quaisquer ações, obras ou projetos sem consulta prévia, livre e informada (CPLI); apresentar ao Tribunal um estudo sobre situações críticas de falta de água potável ou alimentos; e elaborar um plano de ação para abordar e implementar medidas que garantam o acesso permanente à água potável e a criação de um fundo de desenvolvimento comunitário.</p>



<p>Um detalhe significativo dessa decisão é a inclusão das famílias crioulas no processo, sem comprometer a defesa dos direitos indígenas. Para tanto, estipulou que as famílias residentes em território indígena devem concordar com as comunidades indígenas em sua realocação para uma área livre de ocupação tradicional.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="845" height="577" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-4.jpeg" alt="" class="wp-image-17962" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-4.jpeg 845w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-4-300x205.jpeg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-4-768x524.jpeg 768w" sizes="(max-width: 845px) 100vw, 845px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>A Corte Interamericana de Direitos Humanos determinou que o Estado argentinoviolou os direitos de propriedade da comunidade indígena. <strong>Foto: </strong>Morita Carrasco</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Resultados desanimadores</strong></h3>



<p>Em 2020, o governo provincial estabeleceu uma Unidade Executiva Provincial encarregada de definir os limites, trabalhando em conjunto com uma equipe de especialistas locais. Esse trabalho foi realizado no âmbito de um Plano de Trabalho, com a participação de uma pessoa indígena e uma pessoa não indígena. No ano seguinte, o Ministério Nacional da Justiça e dos Direitos Humanos criou A Unidade Executiva Nacional Temporária para a Execução da Sentença (UENT), a fim de &#8220;coordenar com as agências do Estado nacional, provincial e municipal a execução de iniciativas conjuntas para cumprir as medidas de reparação ordenadas pela sentença&#8221;.</p>



<p>Em 2023, a UENT foi dissolvida e as atividades que deveriam ser desenvolvidas para a implementação de medidas reparatórias foram suspensas. Sob a nova administração do governo nacional, a responsabilidade pelos direitos indígenas foi transferida da Secretaria de Direitos Humanos para o Ministério do Interior, e, dentro deste último, o Instituto Nacional de Assuntos Indígenas (INAI) tornou-se a Secretaria de Assuntos Indígenas. O Tribunal acompanhará o pleno cumprimento da sentença e encerrará o caso assim que o Estado tiver cumprido todas as suas disposições. Em 6 de fevereiro de 2026, seis anos após a sentença, a implementação apresenta resultados escassos e desanimadores para as comunidades.</p>



<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<blockquote class="wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p class="destacado pc-only">Entre 2020 e 2026, o território indígena continua sendo ocupado por populações fronteiriças, as cercas dos fazendeiros não foram removidas e a exploração madeireira das florestas nativas está aumentando de forma descontrolada.</p>
</blockquote>



<p class="destacado cel-only">Entre 2020 e 2026, o território indígena continua sendo ocupado por populações fronteiriças, as cercas dos fazendeiros não foram removidas e a exploração madeireira da floresta nativa aumenta descontroladamente.</p>
</blockquote>



<p>O objetivo 1, que visa delimitar o território tradicional, depende do diálogo entre os dois grupos. Atualmente, o último mapa acordado em 2023 revela que as reuniões para definir os limites dos assentamentos das famílias crioulas e do território indígena ainda estão pendentes. Soma-se a isso a incerteza quanto à responsabilidade direta por essa tarefa, dadas as mudanças no Instituto Nacional de Assuntos Indígenas (INAI) e as dificuldades de trabalho de campo devido à estação chuvosa de verão. Quanto ao objetivo operacional 2, relacionado ao fornecimento de água potável e alimentação adequada, o trabalho iniciado com acordos entre a Unidade Nacional de Implementação e outros órgãos do governo nacional (como o Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária) foi interrompido durante o novo governo do presidente Javier Milei.</p>



<p>Entretanto, entre 2020 e 2026, o território indígena continua sendo ocupado por populações fronteiriças, as cercas dos fazendeiros permanecem e o desmatamento das florestas nativas aumenta sem controle. Soma-se a isso o renovado interesse dos governos do Mercosul em dar continuidade ao projeto do corredor bioceânico, o que renova as preocupações destacadas pela decisão que violou o direito à consulta e ao acesso ao consentimento livre, prévio e informado. Tudo isso se soma à crescente degradação ambiental, que, mais uma vez, mina o reconhecimento do uso tradicional de recursos vitais pelos cinco povos indígenas.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="873" height="571" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-Portada-B.jpeg" alt="" class="wp-image-17959" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-Portada-B.jpeg 873w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-Portada-B-300x196.jpeg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2026/04/Argentina-Abril-2026-Portada-B-768x502.jpeg 768w" sizes="auto, (max-width: 873px) 100vw, 873px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Seis anos após a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos, a implementação apresenta resultados desanimadores para as comunidades. <strong>Foto: </strong>Morita Carrasco</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Importância da decisão para os povos indígenas na Argentina</strong></h3>



<p>O Tribunal estendeu o alcance dessa decisão aos demais povos indígenas do país, enfatizando que a Argentina carece de legislação adequada para garantir suficientemente o direito à propriedade comunitária. Segundo o Tribunal, isso significa que as comunidades indígenas não têm proteção efetiva de seus direitos de propriedade.</p>



<p>Consequentemente, o caso 12094, Associação de Comunidades Indígenas <em>Lhaka Honhat </em>contra o Estado da Argentina, é emblemático da luta indígena no país, afetando todas as comunidades. Contudo, surpreendentemente, é pouco conhecido na Argentina. Nesse contexto, a Corte recomendou que o Estado publique a sentença na imprensa oficial: trata-se de uma questão de enorme impacto na situação de insegurança jurídica em que muitas comunidades vivem devido à falta de legislação ou outras medidas necessárias para garantir a segurança jurídica dos direitos de propriedade comunitária indígena.</p>



<p>Entretanto, ouvem-se novamente as vozes dos líderes, insistindo: &#8220;O que podemos fazer agora? Até quando teremos que esperar?&#8221;.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Quando o território sagrado encontra o direito: histórias de resistência legal no Nepal e na Colômbia</title>
		<link>https://debatesindigenas.org/pt/2025/12/01/quando-o-territorio-sagrado-encontra-a-lei-historias-de-resistencia-legal-no-nepal-e-na-colombia/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Lieselotte Viaene]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 04:45:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Extrativismo]]></category>
		<category><![CDATA[Colombia]]></category>
		<category><![CDATA[Nepal]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Fruto de uma colaboração transcontinental a quatro mãos, este ensaio narra as histórias de comunidades indígenas no Nepal e na Colômbia resistem à destruição de seus territórios sagrados pela guerra e por projetos de desenvolvimento. Essas histórias mostram como o direito, a espiritualidade e o ativismo se intercruzam na luta por justiça.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>O Partido Comunista do Nepal – Maoísta (CPN-M), os Marxistas-Leninistas Unidos e o Congresso Nepalês representam a “velha guarda” que dominou a política do país por mais de três décadas. Os dias 8 e 9 de setembro de 2025 ficarão marcados na história como a revolta do <a href="https://thewire.in/south-asia/nepals-gen-z-movement-and-the-ghostly-afterlives-of-revolution/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Movimento da geração Z</a>, que finalmente conseguiu derrubar essa “velha guarda”. Impulsionado pela proibição das redes sociais pelo governo e pela aprovação de duras leis cibernéticas, a principal reivindicação do movimento era o fim da corrupção sistêmica. Durante a revolta, 72 pessoas (a maioria jovens) perderam a vida e centenas ficaram feridas.</p>



<p>Em meio ao caos, diversas casas de líderes políticos, incluindo a do primeiro-ministro Khadga Prasad Sharma Oli, foram incendiadas, e tanto ele quanto seu ministro do Interior renunciaram. Vários membros do parlamento ficaram desaparecidos por dias. Monumentos emblemáticos, como o prédio do Parlamento e a Suprema Corte, também foram incendiados. Embora um governo interino, formado após negociações com o Movimento da geração Z, esteja restabelecendo os serviços, <a href="https://kathmandupost.com/national/2025/10/12/supreme-court-may-take-months-to-resume-full-fledged-operation" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o judiciário permanece paralisado: milhares de documentos foram destruídos, incluindo ações judiciais movidas por comunidades indígenas</a>.</p>



<p>Um desses processos judiciais busca impedir a construção de um teleférico em uma montanha sagrada que o povo Limbu historicamente identifica como Mukkumlung, renomeada Pathibhara há um século em homenagem a uma deusa hindu. Nas últimas décadas, Pathibhara tornou-se um destino popular para peregrinos hindus. Mukkumlung faz parte do território ancestral Limbu e é geopoliticamente sensível, fazendo fronteira com o Tibete (China) e Sikkim (Índia). Também é geologicamente frágil, pois integra a cordilheira do Himalaia, uma das zonas ecológicas com maior biodiversidade do planeta. Para preservá-la, o governo nepalês declarou a área como Projeto de Área de Conservação de Kanchenjunga em 1997.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-1-1024x768.jpeg" alt="" class="wp-image-17112" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-1-1024x768.jpeg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-1-300x225.jpeg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-1-768x576.jpeg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-1-1536x1152.jpeg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-1.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Em resposta ao desmatamento para a construção do teleférico, a comunidade se organizou para plantar espécies nativas como um ato simbólico de recuperação ecológica em Mukkumlung (Pathibhara). <strong>Foto: </strong>Sabin Ninglekhu</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O avanço do desenvolvimento contra locais sagrados</strong></h3>



<p>“Não acredito que devamos abrir mão de nossas terras sagradas em nome do desenvolvimento. Nem mesmo estamos dispostos a abrir mão de nossa floresta comunitária, muito menos de nossos templos, santuários e espaços sagrados”, diz Sarita Ghale, da comunidade Khasur, no norte do Nepal. O curta-metragem <a href="https://rivers-ercproject.eu/marsyangdi/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Que Você Viva Tanto Quanto o Rio</em></a> explora a tensão entre a sabedoria ancestral, a ação dos guardiões invisíveis da terra e a força implacável do “progresso” impulsionado pela economia hidrelétrica. O título em <em>gurung </em>é uma bênção dos mais velhos para os mais jovens: “Que você viva tanto quanto a árvore simal, que você seja tão forte quanto as rochas do rio Marsyangdi”.</p>



<p>Este curta-metragem faz parte de um projeto de dois documentários.<a href="https://rivers-ercproject.eu/audiovisual/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"> <em>Direitos Humanos Além do Humano?</em></a>, produzido como parte do projeto de pesquisa <a href="https://rivers-ercproject.eu" target="_blank" rel="noreferrer noopener">RIVERS (2019–2026)</a>. O RIVERS examina a relação entre os seres humanos e a natureza, e o papel do direito, por meio de trabalho de campo no Nepal, Colômbia, Guatemala e nas Nações Unidas. Sua contraparte colombiana, <a href="https://rivers-ercproject.eu/aty/" target="_blank" rel="noreferrer noopener"><em>Juíza Entre Mundos</em></a>, acompanha a jornada espiritual e jurídica da juíza indígena Belkis Izquierdo. Este retrato íntimo de Aty Seikuinduwa (“mãe além da escuridão”) mostra como a autoridade traz a terra viva, os múltiplos sistemas de vida e as práticas espirituais indígenas para o tribunal.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>Nem o governo nepalês (que apoia o projeto) nem a empresa privada revelam que a cultura limbu seria completamente perdida e a natureza destruída pela &#8220;<em>disneyficação</em>&#8221; da terra sagrada.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite><strong>. </strong>Nem o governo nepalês nem a empresa revelam que a cultura limbu seria completamente perdida e a natureza destruída pela &#8220;disneyficação&#8221; da terra sagrada.</cite></blockquote>



<p><a href="https://www.youtube.com/watch?v=GC6v_dzfrBs&amp;t=117s" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Esses filmes desafiam as estruturas jurídicas dominantes ao darem destaque a vozes não humanas e à jurisprudência indígena, oferecendo uma poderosa reflexão sobre pluralismo jurídico, espiritualidade e resistência ao extrativismo</a>. Em consonância com esses documentários, o projeto do teleférico exemplifica o mais recente ataque de &#8220;desenvolvimento&#8221; em terras sagradas. Registrado pela <em>Pathibhara Devi Darshan Private Limited</em>, uma empresa de um bilionário nepalês, o teleférico conectaria a base da montanha ao seu cume, sobrevoando a rota de peregrinação e impactando as florestas montanhosas.</p>



<p>Com um investimento estimado em 21 milhões de dólares, a empresa afirma que o teleférico facilitaria a rota de peregrinação, impulsionaria o turismo e geraria empregos, trazendo desenvolvimento para o distrito de Taplejung. No entanto, nem o governo nepalês (que apoia o projeto) nem a empresa privada revelam que <a href="https://thewire.in/south-asia/a-sacred-mountain-a-cable-car-and-nepals-indigenous-resistance-to-state-violence" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a cultura Limbu seria completamente perdida e o meio ambiente natural destruído pela &#8220;disneyficação&#8221; da terra sagrada</a>. De fato, resorts, cafés, hotéis e uma pista de patinação no gelo já estão sendo planejados para o topo do local sagrado.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="940" height="666" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-2.png" alt="" class="wp-image-17113" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-2.png 940w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-2-300x213.png 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Nepal-Colombia-Diciembre-2025-2-768x544.png 768w" sizes="auto, (max-width: 940px) 100vw, 940px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>O curta-metragem nepalês &#8220;Que Você Viva Tanto Quanto o Rio&#8221; e o filme colombiano &#8220;Juíza Entre Mundos&#8221; exploram a ligação entre a natureza e os seres humanos. </em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Violência burocrática e legal</strong></h3>



<p>Como parte do processo de paz que se seguiu ao fim da “Guerra do Povo”, concluída em 2006, <a href="https://iwgia.org/en/nepal.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o Nepal ratificou a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) relativa aos Povos Indígenas e Tribais</a> e endossou a adoção da <a href="https://iwgia.org/en/nepal.html">Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP)</a> em 2007. Esses instrumentos reconhecem os Povos Indígenas como detentores de direitos coletivos (à autodeterminação, à terra, ao território e aos recursos naturais) e estabelecem o direito ao Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) sobre decisões que os afetem.</p>



<p>Inicialmente, o Nepal foi celebrado como um líder regional na proteção dos direitos dos povos indígenas: foi o primeiro país asiático a ratificar a Convenção 169 e, <a href="https://whc.unesco.org/en/statesparties/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">em sua Constituição de 2015, reconheceu explicitamente os direitos dos povos indígenas</a>. Os artigos 26 e 34, por sua vez, protegem o direito das comunidades de preservar seus locais religiosos e práticas culturais. O Nepal também ratificou a <a href="https://whc.unesco.org/en/statesparties/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Convenção do Patrimônio Mundial de 1978 </a>e a <a href="https://news.un.org/en/story/2010/06/342652" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Convenção para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial de 2010</a>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>Bancos multilaterais de desenvolvimento e o governo falham sistematicamente em proteger os direitos dos povos indígenas, incluindo o Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), em grandes projetos hidrelétricos.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>Bancos multilaterais de desenvolvimento e o governo não estão conseguindo proteger os direitos indígenas, incluindo o Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), em grandes projetos hidrelétricos.</cite></blockquote>



<p>Quase 20 anos depois, a liderança do Nepal provou ser uma falsa esperança. Um relatório recente, <a href="https://accountabilitycounsel.org/wp-content/uploads/final-english-version-ac-and-lahurnip-report-hanging-by-a-thread.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">&#8220;Por um Fio: Direitos dos Povos Indígenas na Transição para Energias Renováveis”</a>, publicado pelo <em>Accountability Council</em> e pela <a href="https://www.lahurnip.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Associação Nepalesa de Advogados de Direitos Humanos dos Povos Indígenas</a>, documenta como os bancos multilaterais de desenvolvimento e o governo falham sistematicamente em garantir a proteção dos direitos indígenas, incluindo o Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI), nos principais projetos hidrelétricos.</p>



<p>Ao aprovar o projeto do teleférico, <a href="https://news.mongabay.com/2024/07/in-nepal-a-cable-car-in-a-sacred-forest-sparks-swift-and-controversial-direct-action/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o governo nepalês também autorizou a derrubada de milhares de árvores, a destruição do habitat de espécies animais ameaçadas de extinção</a> e, consequentemente, a eliminação da própria razão pela qual o Projeto de Conservação da Área de Kanchenjunga foi criado. Mais recentemente, policiais armados foram mobilizados para reprimir protestos, incluindo o uso de gás lacrimogêneo dentro de casas no meio da noite, a destruição de câmeras de vigilância, a prisão e agressão física de moradores e o disparo contra manifestantes, ferindo várias pessoas. <a href="https://thewire.in/south-asia/a-sacred-mountain-a-cable-car-and-nepals-indigenous-resistance-to-state-violence" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em resposta, processos judiciais foram instaurados contra os manifestantes por “incitação à violência”.</a></p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="TEASER ERC RIVERS documental NEPAL -subtítulos ESP" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/IfSJ-2DJWMU?feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Conhecimento que vem dos territórios</strong></h3>



<p>O Nepal está implementando reformas muito necessárias em múltiplas frentes. Em meio à violência patrocinada pelo Estado, o futuro jurídico de Mukkumlung repousa nas mãos da Suprema Corte do Nepal, que está literalmente ressurgindo das cinzas. Será que este tribunal superior conseguirá transformar a liderança, em grande parte simbólica, do Nepal na proteção dos direitos dos povos indígenas em uma jurisprudência genuinamente progressista que permita à montanha sagrada de Limbu vencer sua batalha legal?</p>



<p>A jurisprudência indígena inovadora da Jurisdição Especial para a Paz (JEP) da Colômbia pode oferecer novas vias legais para casos nepaleses relacionados a danos a terras indígenas ligados a projetos de desenvolvimento e transição verde. Desde que sua Constituição de 1991 reconheceu a diversidade étnica e cultural, a Colômbia construiu um sólido corpo de jurisprudência multicultural. No entanto, foi somente em 2014 que o Judiciário nomeou sua primeira magistrada auxiliar indígena, Belkis Izquierdo Torres, marcando um marco histórico. Quatro anos depois, ela se tornou uma dos 31 juízes do Tribunal de Paz, ao lado de outros três juízes indígenas.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>“Reconhecer o território como vítima implica considerar que o Território está vivo, que é um ser senciente, que é sujeito de direitos. Que, no âmbito do conflito armado, ele sofreu, foi prejudicado e ainda sente dor.”</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>“Reconhecer o território como vítima implica considerar que o Território está vivo, que é sujeito de direitos. Que, no âmbito do conflito armado, sofreu e ainda sofre.”</cite></blockquote>



<p>Criada no âmbito do Acordo de Paz de 2016 entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC-EP), a Jurisdição Especial para a Paz (JEP) investiga e julga casos relacionados ao conflito armado, que afetou desproporcionalmente as comunidades indígenas e afrocolombianas. Foram essas comunidades que pressionaram com sucesso pela inclusão do Capítulo Étnico (adicionado tardiamente), que garante o reconhecimento de seus direitos e territórios no processo de justiça de transição. Em consonância com seu mandato voltado para as vítimas, este tribunal desenvolveu uma metodologia participativa para a investigação territorial.</p>



<p>Como explica Belkis Izquierdo no curta-metragem: “É necessário que os juízes saiam dos limites do gabinete para sentir o Território, para sentir o cheiro do Território. Nosso conhecimento indígena não vem apenas da razão humana, vem dos Territórios, porque o conhecimento é territorializado”. A ideia de que a própria terra pode ser portadora de conhecimento jurídico contrasta fortemente com a jurisprudência nepalesa sobre direitos indígenas. A juíza acrescenta: “Reconhecer o território como vítima implica considerar que o Território está vivo, que é um ser senciente, que é sujeito de direito. Que, no contexto do conflito armado, ele sofreu, foi prejudicado e ainda sente dor. E que é necessário que ele tenha voz no processo judicial para que os danos sejam reconhecidos, para que as reparações sejam feitas.”</p>



<figure class="wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<iframe loading="lazy" title="Teaser ERC RIVERS project: Aty Seikuinduwa" width="500" height="281" src="https://www.youtube.com/embed/XH78n-0K9Ww?start=38&#038;feature=oembed" frameborder="0" allow="accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share" referrerpolicy="strict-origin-when-cross-origin" allowfullscreen></iframe>
</div></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Poderá o Supremo Tribunal do Nepal criar um precedente jurídico no Sul da Ásia?</strong></h3>



<p>A jurisprudência indígena colombiana marca um marco jurídico: reconhece não apenas que os seres humanos podem sofrer danos, mas também os locais sagrados, os seres espirituais e suas interrelações. Os territórios indígenas na Colômbia têm direito à verdade, à justiça, à reparação e às garantias de não repetição. Isso é uma novidade, visto que anteriormente esses direitos eram reservados exclusivamente a indivíduos e grupos diretamente afetados pelo conflito.</p>



<p>De forma semelhante, o Supremo Tribunal do Nepal poderia realizar uma visita <em>in loco </em>ou uma missão de apuração de fatos em Mukkumlung. Na última década, a <a href="https://corteidh.or.cr/index.cfm?lang=en" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Corte Interamericana de Direitos Humanos</a> e diversos tribunais superiores da América Latina visitaram comunidades indígenas e afrodescendentes para coletar provas e ouvir todas as partes envolvidas. A primeira visita <em>in loco </em>da Corte Interamericana ocorreu em 2012, <a href="https://www.corteidh.or.cr/docs/casos/articulos/resumen_245_ing.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">no caso do <em>Povo Indígena Kichwa de Sarayaku contra o Equador</em></a>: os juízes viajaram de <a href="https://amazonwatch.org/news/2012/0427-human-rights-court-in-unprecedented-visit-to-sarayaku" target="_blank" rel="noreferrer noopener">avião e canoa</a> para realizar audiências na comunidade amazônica. Desde então, a Corte realizou 15 <a href="https://dissect.ugent.be/seeing-it-with-your-own-eyes/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">visitas <em>in loco</em></a>, seis delas a comunidades indígenas.</p>



<p>Embora as comunidades indígenas do Nepal permaneçam céticas em relação ao sistema judicial <a href="https://link.springer.com/article/10.1007/s41020-023-00209-9" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(que percebem como estruturalmente tendencioso contra as causas indígenas)</a>, restam poucas alternativas além de recorrer aos tribunais nacionais. Durante uma audiência da Suprema Corte em 2025 sobre o projeto do teleférico, um advogado da empresa descartou as reivindicações indígenas: “É como ouvir ficção e poesia. O argumento deles pertence à Idade da Pedra”. A ironia reside em quão arcaicas essas observações racistas parecem em comparação com práticas jurídicas inovadoras, como as da Colômbia, onde a pluralidade de sistemas de conhecimento é integrada aos litígios ambientais e indígenas.</p>



<p>Como refletiu Shree Linkhim, um dos jovens líderes indígenas do movimento #NoCableCar: “O movimento indígena vai muito além de impedir teleféricos e projetos hidrelétricos. Em última análise, a luta é sobre transformar o caráter do Estado nepalês.” Se os movimentos indígenas forem entendidos como uma forma permanente de resistência, a histórica decisão da Colômbia no caso Belkis representa um momento monumental ao qual o Nepal poderia aspirar. Se isso acontecerá ou não dependerá de como o caráter e as práticas do Estado e do judiciário evoluirão à luz da revolta do Movimento da Geração Z e das eleições de 2026, que prometem remodelar o cenário político do país.</p>
<p>The post <a href="https://debatesindigenas.org/pt/2025/12/01/quando-o-territorio-sagrado-encontra-a-lei-historias-de-resistencia-legal-no-nepal-e-na-colombia/">Quando o território sagrado encontra o direito: histórias de resistência legal no Nepal e na Colômbia</a> appeared first on <a href="https://debatesindigenas.org/pt">Debates Indígenas</a>.</p>
]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Deslocamento forçado de povos indígenas: o papel do Sistema Interamericano de Direitos Humanos</title>
		<link>https://debatesindigenas.org/pt/2025/08/01/deslocamento-forcado-de-povos-indigenas-o-papel-do-sistema-interamericano-de-direitos-humanos/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Andrea Pochak]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 01 Aug 2025 04:58:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Sistema Interamericano]]></category>
		<category><![CDATA[Territorio]]></category>
		<category><![CDATA[CIDH]]></category>
		<category><![CDATA[Deslocamento forçado]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://debatesindigenas.org/?p=15846</guid>

					<description><![CDATA[<p>Este artigo é uma versão condensada da apresentação intitulada "Direitos humanos e deslocamento forçado de povos indígenas: parâmetros interamericanos e o papel da CIDH no enfrentamento dos desafios atuais", proferida no Seminário Internacional sobre Deslocamento Forçado de Comunidades Indígenas na América Latina, realizado em Cartagena das Índias, Colômbia, em maio de 2025.</p>
<p>The post <a href="https://debatesindigenas.org/pt/2025/08/01/deslocamento-forcado-de-povos-indigenas-o-papel-do-sistema-interamericano-de-direitos-humanos/">Deslocamento forçado de povos indígenas: o papel do Sistema Interamericano de Direitos Humanos</a> appeared first on <a href="https://debatesindigenas.org/pt">Debates Indígenas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Este artigo busca responder à pergunta sobre qual deve ser o papel do Sistema Interamericano de Direitos Humanos (CIDH) diante do fenômeno do deslocamento forçado de povos indígenas na região. Para tanto, analisa inicialmente as causas que a CIDH identificou como geradoras dos deslocamentos forçados de comunidades com laços ancestrais com seus territórios, especificamente a violência e o racismo estrutural. Em seguida, apresenta as principais contribuições da CIDH para essa questão e, por fim, compartilha uma breve reflexão sobre o papel que o Sistema Interamericano pode desempenhar no cumprimento de sua função de auxiliar os Estados na prevenção e resposta a essa violação de direitos humanos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="681" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-1-1024x681.jpg" alt="" class="wp-image-15848" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-1-1024x681.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-1-300x200.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-1-768x511.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-1-1536x1022.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-1.jpg 2000w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Comissária Andrea Pochak nas Sessões Internas da Comissão Interamericana de Direitos Humanos durante seu 190º Período de Sessões. <strong>Foto: </strong><a href="https://www.flickr.com/photos/cidh/albums/72177720318954309/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CIDH</a></em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>As causas do deslocamento: racismo</strong> <strong>estrutural</strong> <strong>e</strong> <strong>ameaça</strong> <strong>para</strong> <strong>o</strong> <strong>autodeterminação</strong></h3>



<p>De maneira consistente, <a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/desplazamientointerno.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) vêm advertindo que as atuais violações dos direitos dos povos indígenas são consequência de profundas desigualdades históricas</a> decorrentes de séculos de colonização, extermínio, assimilação forçada e racismo estrutural. É dentro desse quadro conceitual que o fenômeno do deslocamento forçado de comunidades de seus territórios ancestrais constitui uma grave violação dos direitos humanos.</p>



<p>As comunidades se vêem obrigadas à se deslocar devido a gravidade da violência que atravessam, produto dos conflitos armados, da atuação do crime organizado e do narcotráfico. Mas além disso, <a href="https://www.oas.org/es/cidh/decisiones/pdf/2024/resolucion_cambio_climatico.pdf">o deslocamento ocorre</a> cada vez mais como resultado tangível do aquecimento global e da <a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/guatemala2017-es.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">expansão de projetos de infraestrutura e atividades extrativistas de larga escala</a>. Como consequência inevitável, esses deslocamentos fazem com que <a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/panamazonia2019.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">as comunidades percam sua cultura e identidade, podendo até mesmo levar à desintegração da própria comunidade</a>.</p>



<p>Os povos transfronteiriços que são forçados a se mudar para além de seus territórios ancestrais muitas vezes ficam em uma situação mais vulnerável, já que nenhum dos Estados envolvidos normalmente tem instituições de proteção adequadas para enfrentar os desafios mencionados.</p>



<p>A CIDH documentou inúmeros exemplos de deslocamentos em massa e remoções forçadas de povos indígenas em contextos de pobreza, violência e criminalização. Essas situações refletem estruturas históricas de opressão que persistem, dificultando o acesso à justiça e o retorno seguro.</p>



<p>As causas e consequências do deslocamento forçado têm sido amplamente analisadas pela CIDH por meio de seus diversos mecanismos: entre eles, em relatórios da CIDH e sentenças da Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH); em resoluções sobre medidas cautelares da CIDH e medidas provisórias da CIDH; em audiências públicas; e em visitas de trabalho evisitas <em>in loco</em>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="799" height="450" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-3B-1.jpg" alt="" class="wp-image-15849" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-3B-1.jpg 799w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-3B-1-300x169.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-3B-1-768x433.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Visita in loco a Sololá (Guatemala) em 2024. <strong>Foto: </strong><a href="https://live.staticflickr.com/65535/53879530292_f20ebfddd7_c.jpg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CIDH</a></em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>As normas do Sistema Interamericano contra o deslocamento forçado</strong></h3>



<p>O direito à autodeterminação, que precede o Estado e sustenta a identidade dos povos indígenas, se expressa, entre outras formas, <a href="https://www.cidh.org/annualrep/84.85eng/Brazil7615.htm" target="_blank" rel="noreferrer noopener">na propriedade coletiva de terras, territórios e recursos naturais</a>. A CIDH considerou que esse direito deriva do artigo 21 da Convenção Americana sobre Direitos Humanos, que reafirma o direito dos povos à titulação, delimitação e demarcação de suas terras tradicionais. Ao mesmo tempo, destacou-se que <a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/desplazamientointerno.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">a falta de segurança jurídica na posse da terra agrava as violações de direitos e facilita os despejos forçados</a> quando as terras são disputadas ou convertidas em áreas protegidas<a href="#_643gkp8hf1e7">.</a></p>



<p>A situação de vulnerabilidade é agravada pela relação especial que esses povos mantêm com as terras das quais foram deslocados; nesses casos, a proteção do direito à propriedade coletiva e ao uso e gozo de seu território são necessários para garantir sua sobrevivência. A Corte Interamericana de Direitos Humanos chegou a reconhecer em sua jurisprudência a especial importância da vida familiar no contexto das famílias indígenas. </p>



<p>O Tribunal também enfatizou o direito das pessoas deslocadas de retornarem livremente ao seu local de origem em segurança, e a obrigação dos <a href="https://www.oas.org/es/cidh/decisiones/corte/12.573fondoesp.doc">Estados de garantir que seu retorno seja voluntário</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="799" height="534" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-Final-1.jpg" alt="" class="wp-image-15850" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-Final-1.jpg 799w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-Final-1-300x201.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-Final-1-768x513.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Visita in loco a Fonseca (Colômbia) em 2024. <strong>Foto: </strong><a href="https://live.staticflickr.com/65535/53758561335_17271066d3_c.jpg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CIDH</a></em></figcaption></figure>



<p>Para a CIDH, <a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/LibreDeterminacionES.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">o direito à autodeterminação não implica apenas o reconhecimento da propriedade coletiva, mas também o direito de </a><a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/LibreDeterminacionES.pdf">autogovernar seus territórios por meio de suas próprias autoridades</a>. Quando o deslocamento forçado rompe a relação com as autoridades indígenas, o exercício de um projeto específico dos povos é interrompido e afeta o próprio cerne da autodeterminação.</p>



<p>Por sua vez, os direitos à consulta e ao consentimento livre, prévio e informado buscam garantir que os povos indígenas participem das decisões que possam afetá-los. A consulta busca obter o consentimento por meio de um diálogo genuíno e respeitoso. <a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/LibreDeterminacionES.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Muitas comunidades desenvolveram seus próprios protocolos para o exercício desses direitos</a>. <a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/EmpresasDDHH.pdf">No contexto das atividades empresariais, o reconhecimento das normas interamericanas é fundamental</a>, e os Estados têm a obrigação de garantir processos participativos e inclusivos.</p>



<p>Como se pode observar, o Sistema Interamericano de Direitos Humanos oferece um arcabouço jurídico sólido para proteger os povos indígenas do deslocamento forçado, com base em um princípio central: a autodeterminação. <a href="https://www.ohchr.org/es/press-releases/2025/05/guatemala-un-human-rights-committee-adopts-landmark-decision" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Este direito garante sua permanência, participação e autonomia em seus territórios ancestrais, visto que sua violação coloca em risco a existência coletiva</a>.</p>



<p>Os padrões e recomendações da CIDH são claros: o deslocamento forçado deve ser prevenido e enfrentado com urgência. Para tanto, não basta um mero compromisso formal dos Estados; são necessárias medidas concretas e eficazes, para as quais os Estados podem contar com assistência técnica e os Povos Indígenas com o apoio estratégico da Comissão Interamericana.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="799" height="533" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-4-B-1.jpg" alt="" class="wp-image-15852" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-4-B-1.jpg 799w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-4-B-1-300x200.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/CIDH-Agosto-2025-4-B-1-768x512.jpg 768w" sizes="auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Visita in loco a Bogotá (Colômbia) em 2024. <strong>Foto: </strong></em><a href="https://live.staticflickr.com/65535/53760728658_0ac582790c_c.jpg" target="_blank" rel="noreferrer noopener">CIDH</a></figcaption></figure>



<p><strong>O papel que a CIDH pode desempenhar no fortalecimento da proteção dos direitos humanos neste contexto</strong></p>



<p>O deslocamento forçado de povos indígenas exige políticas públicas interculturais, participação efetiva e reparações transformadoras. Os Estados da região ainda têm uma dívida histórica com esses povos, agravada pela desigualdade estrutural que exige medidas especiais de proteção e prevenção.</p>



<p>É evidente que a implementação efetiva das medidas necessárias para prevenir e remediar o deslocamento forçado de povos indígenas exige vontade política sustentada e um compromisso genuíno para garantir que os povos indígenas participem ativamente das decisões que os afetam. Para tanto, o Sistema Interamericano não deve ser visto apenas como um arcabouço jurídico, mas como uma ferramenta viva a serviço dos povos em sua luta por resistência, proteção e reparação, e que pode auxiliar os Estados nesse objetivo. A Comissão Interamericana dispõe de uma série de ferramentas que podem auxiliar os povos indígenas na defesa de seus direitos e auxiliar os Estados na promoção, formulação e implementação de políticas públicas sobre o assunto.</p>



<p>Por exemplo, a CIDH elabora relatórios anuais e temáticos com diagnósticos e recomendações. Nesse sentido, publicou nos últimos anos uma <a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/industriasextractivas2016.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">série de relatórios </a>relacionados ao fenômeno do deslocamento forçado e à <a href="https://www.oas.org/es/cidh/indigenas/docs/pdf/tierras-ancestrales.esp.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">situação dos direitos dos povos indígenas e tribais</a>.</p>



<p>Por sua vez, a CIDH realiza o monitoramento contínuo de diversas situações de direitos humanos, solicitando informações aos Estados, convocando audiências públicas, realizando reuniões de trabalho, visitas de trabalho e visitas <em>in loco</em>. Também publica comunicados de imprensa ou declarações públicas que buscam destacar situações específicas de preocupação.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-01-at-10.17.23-1-1024x768.jpeg" alt="" class="wp-image-15854" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-01-at-10.17.23-1-1024x768.jpeg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-01-at-10.17.23-1-300x225.jpeg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-01-at-10.17.23-1-768x576.jpeg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-01-at-10.17.23-1-1536x1152.jpeg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/08/WhatsApp-Image-2025-08-01-at-10.17.23-1.jpeg 1600w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Seminário regional sobre deslocamento forçado em Cartagena das Índias (Colômbia) <strong>Foto: </strong>CIDH</em></figcaption></figure>



<p>Além disso, a CIDH mantém diálogo diplomático com os Estados e pode fornecer cooperação técnica especializada a diversas autoridades públicas quando solicitada.</p>



<p>Por fim, a CIDH dispõe de um mecanismo robusto para petições, casos e pedidos de medidas cautelares. Além de resolver situações específicas, esses procedimentos internacionais podem incluir reparações por não repetição, que permitem a promoção de reformas institucionais para prevenir deslocamentos futuros e fortalecer os direitos dos povos indígenas.</p>



<p>Não há dúvida de que ainda existem enormes desafios para que os Estados sejam mais eficazes na prevenção do deslocamento forçado e na resposta às necessidades de proteção de direitos durante e após o deslocamento. <a href="https://www.oas.org/es/cidh/informes/pdfs/desplazamientointerno.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Os Estados são convocados a redobrar seus esforços nessa área, especialmente gerando dados desagregados, reconhecendo a relação territorial especial dos Povos Indígenas e adotando medidas específicas</a>, incluindo consulta prévia e respeito aos seus sistemas normativos, para prevenir e remediar o deslocamento forçado. Para atingir esse objetivo, os Povos Indígenas e os Estados podem contar com o apoio ativo da Comissão Interamericana de Direitos Humanos.</p>
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