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	<title>Equador Archives - Debates Indígenas</title>
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	<description>Revista digital que se propone abordar las luchas, conquistas y problemáticas de los pueblos indígenas</description>
	<lastBuildDate>Mon, 08 Dec 2025 13:54:09 +0000</lastBuildDate>
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	<title>Equador Archives - Debates Indígenas</title>
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	<item>
		<title>Equador: entre a violência oligárquica e as maiorias populares</title>
		<link>https://debatesindigenas.org/pt/2025/12/01/equador-entre-a-violencia-oligarquica-e-as-maiorias-populares/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Manuel Bayón Jiménez]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Dec 2025 05:00:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Território]]></category>
		<category><![CDATA[Equador]]></category>
		<category><![CDATA[violencia institucional]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>No coração do mundo, existe uma coalizão plurinacional e antioligárquica capaz de mudar a situação do país em poucas semanas. Após sua vitória presidencial, Daniel Noboa realizou uma violenta e sem precedentes repressão policial e militar, que incluiu o assassinato de indígenas. Contudo, justamente quando tudo indicava que o país estava sendo varrido por uma onda oligárquica, o povo equatoriano rejeitou o apelo por reforma constitucional e a instalação de bases militares americanas nas Ilhas Galápagos.</p>
<p>The post <a href="https://debatesindigenas.org/pt/2025/12/01/equador-entre-a-violencia-oligarquica-e-as-maiorias-populares/">Equador: entre a violência oligárquica e as maiorias populares</a> appeared first on <a href="https://debatesindigenas.org/pt">Debates Indígenas</a>.</p>
]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>A vitória de Daniel Noboa no segundo turno das eleições, em abril de 2025, confirmou a mudança da maioria eleitoral do Equador para a direita. Daniel Noboa é filho de Álvaro Noboa, cinco vezes candidato à presidência, e sobrinho de Isabel Noboa, a magnata mais rica do Equador, graças aos seus negócios tradicionalmente ligados à banana, bem como aos seus interesses imobiliários e de mineração. No primeiro turno, em fevereiro, a candidata progressista Luisa González, do partido do ex-presidente Rafael Correa (2007-2017), empatou com Noboa.</p>



<p>Inicialmente, o resultado geral da esquerda superou ligeiramente o total combinado da direita. De fato, havia um consenso entre os eleitores de esquerda para votar contra o candidato oligárquico, que durante seu mandato de um ano implementou reformas neoliberais e militarizou o país, com graves violações dos direitos humanos <a href="https://www.bbc.com/mundo/articles/cjdngg4x940o" target="_blank" rel="noreferrer noopener">(como a execução extrajudicial de quatro crianças afroequatorianas detidas pelo exército)</a>. Esse empate virtual foi superado com bônus e benefícios nas semanas que antecederam o segundo turno, e com um Conselho Nacional Eleitoral que permitiu ao presidente e candidato Noboa fazer campanha com verbas públicas. Em meio a alegações de fraude no próprio dia da eleição, Noboa venceu por 10 pontos percentuais e foi proclamado presidente.</p>



<p>Contudo, após as eleições, o Tribunal Constitucional, que havia endossado a campanha presidencial irregular, decidiu contra o governo em vários de seus decretos de militarização. Isso desencadeou uma grave crise institucional. Como forma de intimidação, Noboa propôs uma reforma constitucional, sem a aprovação do Tribunal Constitucional, e convocou marchas ao redor de sua sede, visando os ministros. Houve até mesmo uma tentativa de evacuar o próprio Tribunal devido a uma suposta ameaça de bomba.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="771" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-1-1024x771.jpg" alt="" class="wp-image-17078" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-1-1024x771.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-1-300x226.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-1-768x578.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-1-1536x1157.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-1-2048x1542.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>O povo equatoriano rejeitou o apelo por reforma constitucional proposto por Noboa, que venceu as eleições de 2025 com uma campanha financiada com dinheiro público. <strong>Foto: </strong>La Raíz</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Uma guerra contra os setores populares</strong></h3>



<p>Em meio a essa crise institucional, em 12 de setembro, o governo promulgou o Decreto 126, que eliminou o subsídio ao diesel. Essa medida havia sido um fator determinante nas greves e levantes populares e indígenas ocorridos em outubro de 2019 e em junho de 2022, que paralisaram o país por 8 e 18 dias, respectivamente. Esses protestos terminaram após negociações entre o movimento indígena e o governo, que acabou revogando a medida. O levante popular contra o subsídio aos combustíveis baseava-se em duas premissas: primeiro, o aumento do custo dos bens básicos e, segundo, o fato de a medida eliminar a única forma de mitigar o enriquecimento dos grupos econômicos que lucraram com a extração de petróleo.</p>



<p>Assim, a liderança do movimento indígena, os sindicatos e as organizações de esquerda convocaram uma mobilização contra o Decreto 126. Poucos dias depois, a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) convocou uma greve nacional, com início em 22 de setembro. Como demonstração de força, o governo equatoriano transferiu a sede da presidência para Latacunga, cidade ao sul de Quito, e a sede da vice-presidência para Otavalo, cidade ao norte. Ambas as cidades abrigam duas das mais importantes organizações indígenas do país, as das províncias de Cotopaxi e Imbabura — epicentros dos levantes de 2019 e 2022.</p>



<p>Nos primeiros dias da greve, o Tribunal Constitucional finalmente concedeu ao governo o direito a um referendo, após ter buscado a questão pelos canais legais comuns. Quatro questões foram aprovadas: duas de natureza populistas, questionando a redução do número de membros da assembleia e a eliminação do financiamento de partidos políticos; e duas de caráter substantivo, como a permissão para bases militares americanas em território equatoriano (em consonância com a agenda militar de Donald Trump) e a verdadeira questão: a convocação de um novo processo constitucional. Dessa forma, o governo oligárquico travava uma guerra contra os setores populares e preparava o terreno para o desmantelamento de uma das constituições mais progressistas em termos de direitos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="771" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-2-1024x771.jpg" alt="" class="wp-image-17079" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-2-1024x771.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-2-300x226.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-2-768x578.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-2-1536x1157.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-2-2048x1542.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>O governo transferiu a vice-presidência para Otavalo, um dos principais centros dos levantes de 2019 e 2022. <strong>Foto: </strong>La Raíz</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Uma repressão sem precedentes</strong></h3>



<p>A greve começou com o aumento dos bloqueios de estradas nas Terras Altas do Norte, especialmente em Imbabura, seguidos por mais bloqueios em Sierra Cientro e em Quito. Marchas também ocorreram em outras partes do Equador, como Cuenca, a terceira maior cidade do país, que nas semanas que antecederam o Decreto 126 testemunhou uma marcha histórica contra a mineração de metais por grandes corporações transnacionais, após três referendos populares terem rejeitado as operações de mineração. <a href="https://persecucionecuador.org/mapa-resistencia/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Ações de apoio também ocorreram em 16 das 24 províncias durante os três primeiros dias da greve nacional</a>.</p>



<p>O operativo militar aumentou significativamente a capacidade do Estado equatoriano de combater a greve: fuzis de assalto, veículos blindados e o uso massivo de helicópteros e drones. Simultaneamente, nos primeiros dias da greve, perpetraram-se atos de violência administrativa com o congelamento de 70 contas bancárias pertencentes a indivíduos e instituições de organizações sociais e grupos afiliados, sob o falso pretexto de combater o terrorismo e o narcotráfico. <a href="https://gk.city/2025/08/26/ley-transparencia-social-regular-ongs/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Isso confirmou as acusações feitas meses antes por organizações de direitos humanos contra a Lei de Transparência Social, que restringe o direito à liberdade de associação no país</a>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>A presença da Vice-Presidência em Otavalo gerou um grande destacamento militar na capital demográfica e simbólica do povo Kichwa, que, desde o primeiro dia, reprimiu as mobilizações.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>O uso de balas de grosso calibre resultou em inúmeros ferimentos por arma de fogo com diagnósticos muito graves durante os primeiros dias.</cite></blockquote>



<p>Em resposta à repressão ditatorial contra a greve popular e indígena, organizações de direitos humanos começaram a documentar a perseguição política que se desenrolava no Equador. <a href="https://alianzaddhh.org/informe-de-verificacion-de-derechos-humanos-durante-el-paro-nacional-de-ecuador-de-2025/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Por um lado, a Aliança de Direitos Humanos relatou ataques e prisões sancionados pelo Estado (dando continuidade aos relatórios e ações judiciais iniciadas em 2019 e 2022</a>). Por outro lado, a Coalizão de Mapeamento da Repressão Estatal, que havia monitorado a perseguição estatal e as mobilizações em apoio à greve durante o levante de 2022, também documentou a situação.</p>



<p>Apesar das diferentes metodologias, ambos os conjuntos de estatísticas documentaram uma escalada da violência estatal desde o primeiro dia da greve. A presença do vice-presidente em Otavalo levou a um grande destacamento militar na capital demográfica e simbólica do povo Kichwa, que, desde o início, reprimiu as mobilizações por meio de uma nova forma de repressão direta contra as marchas e bloqueios pacíficos do movimento indígena. O uso de balas de grosso calibre contra os corpos dos manifestantes resultou em inúmeros ferimentos a bala, muitos deles em estado grave, durante os primeiros dias.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img decoding="async" width="768" height="960" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-3.png" alt="" class="wp-image-17080" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-3.png 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-3-240x300.png 240w" sizes="(max-width: 768px) 100vw, 768px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Este mapa mostra os locais de repressão identificados em reportagens da imprensa, redes sociais e denúncias de direitos humanos, e verificados in loco. <strong>Fonte:</strong> <a href="https://persecucionecuador.org/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Mapeo de la persecución</a></em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Um governo determinado a matar</strong></h3>



<p>Uma das primeiras cenas que chocou o país foi o <a href="https://elpais.com/america/2025-09-30/el-video-del-maltrato-de-los-militares-a-un-manifestante-moribundo-enciende-las-protestas-contra-noboa.html" target="_blank" rel="noreferrer noopener">assassinato de Efraín Fueres</a>, um homem quíchua de Cotacachi. Imagens de câmeras de segurança mostraram soldados atirando nele e, em vez de prestar socorro médico, espancando a pessoa que tentou ajudá-lo, deixando ambos inconscientes. O governo inicialmente negou a existência das imagens e depois as justificou. Além disso, 12 jovens de Otavalo que haviam sido detidos desapareceram inicialmente e foram transferidos para prisões de “segurança máxima”, onde vários massacres ocorreram nos últimos anos, apesar da presença militarizada. Nos dias seguintes, prisões e violência eclodiram contra marchas em Quito, e as imagens da repressão contra o povo quíchua de Saraguro, no Planalto Sul, foram particularmente terríveis.</p>



<p>A repressão espalhou-se por todo o país. Em Saraguro (Loja), Rosa Paqui, uma idosa quíchua, morreu devido ao impacto indireto de bombas de gás lacrimogêneo; e José Guamán, um quíchua de Otavalo (Imbabura), foi morto a tiros. Além disso, imagens chocantes da repressão foram documentadas em Imbabura: tiros disparados contra pessoas à queima-roupa enquanto imploravam pelo fim da violência, e o corte das tranças de manifestantes indígenas — uma forma de violência que remete à época da escravidão nas plantações. Como um exemplo gritante do racismo praticado pelo Estado, a data simbólica de 12 de outubro foi o dia com o maior número de casos de repressão estatal documentados.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>A violência militar exercida, a capacidade do governo de suprimir parte dos movimentos sociais e a convulsão causada pela violência do crime organizado fizeram com que, em 2025, a capacidade do Estado de neutralizar a mobilização fosse maior.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>A greve durou 33 dias, com 678 ações de mobilização nas 24 províncias do país e em 78 dos 224 cantões.</cite></blockquote>



<p>Segundo a Coalizão de Mapeamento da Perseguição, a Confederação das Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) acrescentou uma série de reivindicações à greve: além da revogação do Decreto 126, exigiu a suspensão das políticas extrativistas. Em meio à brutalidade estatal em Otavalo, a greve se intensificou. Organizações de base em Otavalo, lideradas pela União das Organizações Camponesas e Indígenas de Cotacachi (UNORCAC), rejeitaram os contatos estabelecidos por líderes provinciais para encerrar a mobilização. A greve durou 33 dias, com 678 ações de mobilização nas 24 províncias e em 78 dos 224 cantões (províncias) do país.</p>



<p>A província de Imbabura, onde fica Otavalo, registrou 226 protestos, e a província de Pichincha, onde ficam Quito e Cayambe, registrou 195. Diferentemente de 2019 e 2022, a CONAIE encerrou sua greve em 24 de outubro sem obter nenhuma concessão do Estado equatoriano. A enorme violência militar empregada, a capacidade do governo de reprimir uma parcela dos movimentos sociais e a agitação causada pela violência do crime organizado no Equador fizeram com que, em 2025, a capacidade do Estado de conter a mobilização fosse maior. A greve deixou claro que o governo de Daniel Noboa estava comprometido em garantir a transformação constitucional por meio da força militar.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="771" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-4-1024x771.jpg" alt="" class="wp-image-17081" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-4-1024x771.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-4-300x226.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-4-768x578.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-4-1536x1157.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/12/Ecuador-Diciembre-2025-4-2048x1542.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>A greve durou 33 dias, com 678 ações de mobilização nas 24 províncias e em 78 dos 224 cantões do país. <strong>Foto: </strong>La Raíz</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Para deter o poder oligárquico</strong></h3>



<p>Contudo, a greve levou a uma queda acentuada na popularidade do presidente, tanto pelo aumento do custo do transporte e dos bens básicos, quanto pelo descrédito da violência militar e policial. Apesar da derrota, a resposta popular foi imediata: mal a greve terminou, começou a campanha contra o referendo constitucional. Por sua vez, o presidente não conseguiu demonstrar o que haveria de diferente ou melhor em uma nova constituição. Noboa apenas explicou que ela seria redigida por figuras &#8220;notáveis&#8221; (da direita e das oligarquias) e, nos últimos dias, mencionou a importância do ChatGPT na elaboração do texto constitucional.</p>



<p>Por outro lado, o governo anunciou a instalação de novas bases militares americanas nas Ilhas Galápagos. Essa notícia provocou indignação, relembrando a destruição causada pelos militares americanos durante a Segunda Guerra Mundial ao emblema natural e simbólico do Equador. O governo enfrentou uma multiplicidade de setores sociais que fizeram campanha pelo voto &#8220;NÃO&#8221;. Por meio de diversas mensagens, a oposição conseguiu mobilizar todo o eleitorado com notável originalidade.</p>



<p>O resultado foi uma rejeição democrática do presidente Daniel Noboa por mais de 60% do eleitorado e, portanto, de suas propostas políticas que combinam neoliberalismo oligárquico, autoritarismo patriarcal e militarismo fascista. A greve e o referendo demonstram que o poder absoluto das elites que governam o país só pode ser interrompido por meio da mobilização dos setores populares, juntamente com os povos e nacionalidades do Equador.</p>
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			</item>
		<item>
		<title>Mapeamento para a proteção do território dos povos indígenas em isolamento: lições das disputas geográficas no Yasuní</title>
		<link>https://debatesindigenas.org/pt/2025/09/01/mapeamento-para-a-protecao-do-territorio-dos-povos-indigenas-em-isolamento-licoes-das-disputas-geograficas-no-yasuni/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Manuel Bayón Jiménez]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 01 Sep 2025 04:50:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Território]]></category>
		<category><![CDATA[Cartografía]]></category>
		<category><![CDATA[Equador]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Em 2008, o governo equatoriano apresentou a Iniciativa Yasuní-ITT, que propunha manter o petróleo do Bloco 43 no subsolo em troca de uma contribuição financeira internacional que reconheceria a dívida ecológica do Norte global. No entanto, a iniciativa fracassou e, em 2013, o governo cancelou a proposta e autorizou a exploração de petróleo. A sociedade rapidamente se organizou, denunciando a destruição e demonstrando com mapas a invasão do território e dos Povos Indígenas Isolados. Finalmente, com as evidências geográficas reunidas, a equipe de defesa Yasuní obteve uma decisão favorável da Corte Interamericana de Direitos Humanos.</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<p>Ao longo de sua história, o comportamento dos povos amazônicos baseou-se na mobilidade por dois motivos. De um lado, as características do solo, que implicam em rápido empobrecimento sob cultivo, levando a sistemas de lavoura rotativa. De outro, as relações sociais configuram-se em torno de trocas e conflitos, numa dualidade entre rios e interior. Essa mobilidade fez com que o estabelecimento de fronteiras entre os domínios territoriais de Portugal e Espanha permanecesse muito vago durante o período colonial, bem como posteriormente durante o ciclo da borracha, no final do século XIX e início do século XX.</p>



<p>As noções de propriedade, limites e exclusividade espacial aprofundaram-se durante os períodos republicanos, especialmente após as reformas agrárias do século XX. Todos esses processos de colonização envolveram contato violento e o genocídio de muitos povos amazônicos. Nesse contexto, surgiu uma técnica que sobrevive até hoje, estabelecendo limites entre a colonização agrário-extrativista e os territórios indígenas: a geometria poligonal. Os povos indígenas amazônicos foram, portanto, forçados a limitar a divisão de seus espaços de vida, declarando seus próprios polígonos.</p>



<p>No entanto, os povos indígenas que permaneceram isolados continuaram sua mobilidade. Não por meio de uma forma de habitar o espaço &#8220;como se nada tivesse acontecido&#8221;, mas sim tensionando as fronteiras e os polígonos dos quais nunca participaram e que só eram percebidos pela violência da ocupação colonial de seus espaços. Portanto, os polígonos criados com Sistemas de Informação Geográfica (SIG) para a proteção dos povos indígenas em isolamento são tensionados por suas dinâmicas reais e mutáveis.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="684" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-C-2-1024x684.jpg" alt="" class="wp-image-16227" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-C-2-1024x684.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-C-2-300x200.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-C-2-768x513.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-C-2-1536x1025.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-C-2-2048x1367.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Estação no Parque Nacional Yasuni. O Bloco ITT é um grande campo de petróleo que gera mais de 50.000 barris por dia. <strong>Foto: </strong>Coletivo de Geografia Crítica do Equador/Manuel Bayón Jiménez</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Tagaeri e Taromenane no Equador</strong></h3>



<p>O reconhecimento dos Povos Indígenas Isolados do Equador foi gradual, começando com a criação da Zona Intangível Tagaeri-Taromenane (ZITT) em 1999. A ZITT foi criada com base nas áreas onde os Povos Indígenas Isolados foram marginalizados ao longo dos séculos XX e XXI. Este polígono excluiu estradas e poços de petróleo, o que causou seu confinamento progressivo, o que já demonstra um limite em sua definição: seu polígono é criado a partir de áreas de exclusão, em uma hierarquia claramente inferior em relação às atividades extrativistas.</p>



<p>Paralelamente, foi criada uma <em>zona de amortecimento </em>de 10 quilômetros<em> (uma faixa ou zona de transição que circunda uma área protegida ou sensível) ao redor da ZITT</em>, conhecida como Zona de Amortecimento. Isso permitiu que a perfuração de petróleo continuasse onde já havia começado, ao mesmo tempo em que limitava sua expansão. O Estado equatoriano reconheceu a inviolabilidade da ZITT na Constituição de 2008 e criou diferentes áreas de influência para os diversos grupos indígenas isolados por meio de polígonos.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>Neste monitoramento de Povos Indígenas Isolados, o Estado equatoriano utilizou metodologias de sinalização visual, relatos de comunidades vizinhas e voos de drones para determinar os locais onde esses povos vivem.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>Neste monitoramento de Povos Indígenas Isolados, o Estado utilizou metodologias baseadas em sinais visuais, relatos de comunidades vizinhas e voos de drones.</cite></blockquote>



<p>Também em 2008, a Iniciativa Yasuní-ITT foi crucial. Propôs manter o petróleo do Bloco 43 (e seus campos de Ishpingo, Tiputini e Tambococha) no subsolo em troca de uma contribuição financeira internacional em reconhecimento à dívida ecológica do Norte global. Assim, o país caminhou em direção à justiça climática na preservação de um dos lugares com maior biodiversidade do mundo e lar de Povos Indígenas Isolados. Essa iniciativa levou o Ministério do Meio Ambiente a definir quatro círculos de influência em 2012, três deles fora dos limites do polígono da ZITT, reconhecendo a vida e a territorialidade além da área de conservação definida.</p>



<p>Neste monitoramento de Povos Indígenas Isolados, o Estado equatoriano tem utilizado metodologias baseadas em sinais visuais, relatos de comunidades vizinhas e voos de drones para determinar os locais onde esses povos vivem. Essas determinações são feitas pela observação de pessoas, casas, plantações, objetos ou locais onde ocorreram confrontos. O Estado tradicionalmente justifica seus polígonos com base na coleta desses pontos e no estabelecimento de áreas de maior presença. Isso tem se baseado em perspectivas de conservação ou exploração, mas sempre com uma metodologia muito limitada, baseada no binário presença/ausência em uma relação ponto-polígono típica de Sistemas de Informação Geográfica (SIG).</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="724" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-2-1-1024x724.png" alt="" class="wp-image-16228" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-2-1-1024x724.png 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-2-1-300x212.png 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-2-1-768x543.png 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-2-1-1536x1086.png 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-2-1-2048x1448.png 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Vazamentos de óleo e danos ao sistema hídrico no Yasuní. <strong>Mapa: </strong>Coletivo de Geografia Crítica do Equador.</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A luta contra a exploração petrolífera em Yasuní</strong></h3>



<p>Em 2013, o governo equatoriano cancelou a iniciativa para abrir caminho para a exploração de petróleo no Bloco 43. O Ministério da Justiça alterou “magicamente” o mapa, reduzindo os polígonos de quatro para três e eliminando os locais de exploração de petróleo no Bloco 43, ao contrário do que o Estado vinha afirmando até então. Em resposta ao cancelamento da Iniciativa Yasuní-ITT, foi organizada a Frente Yasunidos, que inicialmente convocou protestos e posteriormente ativou o mecanismo constitucional de coleta de assinaturas para convocar um referendo popular para interromper a exploração de petróleo no Bloco 43.</p>



<p>A exploração petrolífera seria realizada sob a promessa de impacto ambiental mínimo, garantindo que apenas 1% (um décimo de 1%) fosse explorado, sendo considerado como impacto apenas o desmatamento. Isso ignorava os Estudos de Impacto Ambiental para as atividades petrolíferas, que mostram o desmatamento produzido e as áreas de impacto direto e indireto da poluição sonora, combustão atmosférica ou descargas hídricas, bem como da atividade sísmica, que atingiria mais de 19% do bloco petrolífero (190 vezes mais do que o prometido). Diante dessa falácia, organizou-se uma batalha geográfica que continuou nos anos seguintes. Dois marcos se destacam: o monitoramento das atividades petrolíferas e o combate ao Decreto 251.</p>



<p>As inspeções de campo foram dedicadas a demonstrar que o impacto seria muito maior do que o aprovado pela Assembleia Nacional. O grupo reuniu instituições científicas da sociedade civil, como o Coletivo de Geografia Crítica do Equador, GeoYasuní e o MAAP (Programa de Monitoramento da Amazônia Andina), da Amazon Conservation, que, em colaboração com Yasunidos e a Aliança pelos Direitos Humanos, foram capazes de revelar a opacidade da atividade petrolífera e seus impactos significativos. Por um lado, o uso de imagens de satélite mostrou a presença de extensas clareiras (eliminação da vegetação natural) e flares (flares usados para queimar gás associado à extração de petróleo). Por outro lado, o mapeamento dos Estudos de Impacto Ambiental demonstrou a invasão da Zona de Amortecimento, impactos diretos e poços de petróleo oblíquos.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="719" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-3-2-1024x719.jpg" alt="" class="wp-image-16229" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-3-2-1024x719.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-3-2-300x211.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-3-2-768x539.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-3-2.jpg 1140w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption">Y<em>asuni Libre. A sociedade civil organizada por meio de mobilização e arte para impedir a exploração de petróleo no Bloco 43. <strong>Imagem: </strong><a href="https://www.flickr.com/photos/tellygacitua/15617128998" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Telly Gacitua</a></em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A imprecisão geográfica do Estado</strong></h3>



<p>Ao mesmo tempo, as ações desse conglomerado, em conjunto com a Defensoria do Povo, levaram a uma inspeção de campo em 2019 que revelou o uso de tecnologia obsoleta e impacto desproporcional: a construção de estradas que modificam a topografia, a presença de isqueiros e descompressores, bem como níveis de limpeza e ruído superiores aos de áreas industriais. Isso levou a uma série de ações judiciais que frearam a expansão da indústria petrolífera. Dada a abundância de provas apresentadas pela sociedade civil nesses julgamentos, o Estado equatoriano limitou-se a exibir vídeos com mapas grotescamente imprecisos e animações em 3D de situações ideais que não existiam nos campos de petróleo.</p>



<p>O Decreto 251 foi redigido em 2019 para expandir a ZITT, mas também permitiu novas áreas de exploração de petróleo dentro da Zona de Amortecimento, o que deixou oito vezes a quantidade de terras protegidas desprotegidas. Isso levou o conglomerado social contra a exploração de petróleo a usar canais legislativos e judiciais para derrubar a desproteção da Zona de Amortecimento. Neste caso, houve uma vitória significativa quando os Ministros do Meio Ambiente e Energia foram sancionados na Assembleia Nacional. Em 2022, o Tribunal Constitucional anulou os artigos do decreto que permitiam nova exploração, incluindo os 320 poços de petróleo planejados para a área de Ishpingo no Bloco 43. Nesses processos, a importância do mapeamento realizado pela sociedade civil foi fundamental, pois mostrou ao Tribunal Constitucional a realidade da exploração de petróleo, seus padrões e seu escopo espacial.</p>



<p>Finalmente, o referendo promovido pelo coletivo Yasunidos foi realizado em 2023, após 10 anos de fraudes e atrasos, com 59% dos votos a favor de deixar o petróleo do Bloco 43 no subsolo, mesmo em meio à grave crise econômica e social que o Equador vivenciou nos últimos anos. A disputa geográfica em torno da narrativa da exploração petrolífera foi destaque na campanha do referendo e no debate oficial. Conseguir demonstrar os resultados dos levantamentos geográficos em Yasuní ou explicar por que o Tribunal Constitucional considerou o Decreto 251 um sinal de agressão aos Povos Indígenas Isolados foram elementos cruciais para a conscientização do eleitorado equatoriano.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="725" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-4-1-1024x725.jpg" alt="" class="wp-image-16230" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-4-1-1024x725.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-4-1-300x212.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-4-1-768x543.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-4-1-1536x1087.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/09/Yasuni-Septiembre-2025-4-1-2048x1449.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Áreas de expansão da atividade petrolífera no Bloco 43 da Plataforma Ishpingo A e B. <strong>Mapa: </strong>Coletivo de Geografia Crítica do Equador</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos</strong></h3>



<p>Em 2025, a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), que tem caráter vinculativo para os Estados-membros da OEA, emitiu a primeira sentença nas Américas reconhecendo os direitos dos povos indígenas isolados. Após 15 anos de apresentação de provas ao Estado equatoriano, o conglomerado social composto pelo movimento indígena e organizações ambientais obteve uma decisão histórica: a CIDH considera o Estado responsável pela violação dos direitos dos Povos Indígenas Isolados Tagaeri e Taromenane e ordena uma série de medidas de reparação.</p>



<p>Em sua decisão, a CIDH reconhece as evidências geográficas apresentadas sobre a exploração de petróleo, especialmente vazamentos de petróleo e poços de petróleo direcionados. Isso se reflete nos argumentos do Coletivo de Geografia Crítica do Equador na decisão da CIDH, como a poluição por petróleo (ver mapa sobre vazamentos de petróleo) e a invasão de poços de petróleo na área legalmente reservada aos Povos Indígenas Isolados de Yasuní (ver mapa sobre áreas de expansão da atividade petrolífera). A decisão determina a necessidade de limitar a atividade e proibir a abertura de novas infraestruturas. Também insta o governo a expandir as áreas protegidas para se aproximar mais precisamente do território efetivamente ocupado e disputado pelos Povos Indígenas Isolados.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>São necessárias formas mais complexas de representação do espaço, bem como o fomento do diálogo intercultural que garanta a implementação da decisão da CIDH no território de forma real e profunda.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>Somente com o acordo e a aceitação das propostas e necessidades dos povos que vivem no Yasuní é que medidas de proteção a longo prazo poderão ser implementadas.</cite></blockquote>



<p>Mas um desafio adicional permanece, que reside nas mãos das ciências sociais e geográficas em diálogo com os diversos povos indígenas (Waorani, Kichwa, Shuar) e os camponeses com os quais os povos indígenas isolados coabitam no Yasuní: a necessidade de ir além da lógica binária da proteção. Embora os polígonos e círculos de presença das ZITT tenham se mostrado uma ferramenta muito valiosa, em termos visuais e jurídicos, para explicar as agressões estatais e petrolíferas contra os povos indígenas isolados, a lógica da multiplicidade no território entre diferentes povos exige compreensões que possam ir além dos limites, das fronteiras e da proibição de atividades.</p>



<p><a></a>A luta dos povos indígenas e da sociedade civil no Equador demonstra a necessidade de formas mais complexas de representação do espaço, bem como de fomentar o diálogo intercultural que garanta a implementação da decisão da CIDH no território de forma real e profunda. Somente com o acordo e a aceitação das propostas e necessidades dos povos que vivem no Yasuní é que medidas de proteção a longo prazo poderão ser implementadas.</p>



<p></p>
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]]></content:encoded>
					
		
		
			</item>
		<item>
		<title>Em busca da autonomia: história, situação atual e desafios da educação intercultural bilíngue no Equador</title>
		<link>https://debatesindigenas.org/pt/2025/03/01/em-busca-da-autonomia-historia-situacao-atual-e-desafios-da-educacao-intercultural-bilingue-no-equador/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sebastián Granda Merchán]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 01 Mar 2025 05:30:00 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Autonomia]]></category>
		<category><![CDATA[Sin categoría]]></category>
		<category><![CDATA[Educação Intercultural]]></category>
		<category><![CDATA[Equador]]></category>
		<guid isPermaLink="false">https://debatesindigenas.org/?p=14659</guid>

					<description><![CDATA[<p>A Educação Intercultural Bilíngue surgiu na década de 1940, quando foram criadas as Escolas Clandestinas Cayambe, promovidas pela líder Kichwa Dolores Cacuango e pela Federação Equatoriana de Índios. Após uma longa luta, foi reconhecida pelo Estado em 1988 e fez progressos significativos na formação de professores, no desenvolvimento curricular e na produção de recursos educacionais. Atualmente, os principais desafios incluem autonomia na definição da própria educação, formação de professores de diversas nacionalidades e presença em áreas urbanas.</p>
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]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p>Semelhante ao que ocorreu na maioria dos países latino-americanos, no Equador, a Educação Intercultural Bilíngue (EIB) é o resultado de uma longa e intensa luta dos povos e nacionalidades indígenas para ter acesso a uma educação cultural e linguisticamente relevante, bem como a uma educação que aborde seus desafios e apoie a realização de sua visão política.</p>



<p>O exposto acima explica por que a EIB tem sido uma das demandas centrais na agenda política das organizações indígenas e por que sempre foi uma das questões-chave nos processos de negociação política com o Estado equatoriano. <a href="https://abyayala.org.ec/producto/dialogo-entre-gobierno-movimiento-indigena-y-organizaciones-sociales/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Essa situação não foi exceção durante as Mesas de Diálogo que aconteceram em 2022 após o grande levante indígena de junho</a>.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-1-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-14660" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-1-1024x683.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-1-300x200.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-1-768x512.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-1-1536x1024.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-1-2048x1365.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Aula de demonstração na província de Chimborazo. No Equador, a Educação Intercultural Bilíngue é uma conquista resultado de uma longa luta. <strong>Foto: </strong>Universidade Politécnica Salesiana</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Trajetória da Educação Bilíngue Intercultural</strong></h3>



<p>O surgimento da Educação Intercultural Bilíngue no Equador nos remete à década de 1940, <a href="https://alteridad.ups.edu.ec/index.php/alteridad/article/view/2.2008.04" target="_blank" rel="noreferrer noopener">quando foram criadas as Escolas Clandestinas Cayambe, promovidas por Dolores Cacuango e a Federação Equatoriana de Índios</a>, com o objetivo de alfabetizar crianças e jovens das comunidades vinculadas às fazendas da região. Nas décadas seguintes, diversas iniciativas educacionais surgiram em diferentes partes da Serra, da Amazônia e até mesmo da costa equatoriana.</p>



<p>Uma característica central dessas iniciativas é que elas eram autogeridas: nasceram e operavam fora do Estado e eram geridas pelas próprias comunidades. <a href="https://dspace.ups.edu.ec/handle/123456789/21026" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Outra característica importante é que eles optaram por projetos de formação criativos e inovadores, tanto em termos de conteúdo quanto de metodologia, para responder às demandas e necessidades das comunidades</a>.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>Ao longo dessas três décadas e mais de existência institucionalizada, a Educação Intercultural Bilíngue fez progressos significativos em diversas áreas: formação de professores, desenvolvimento curricular e produção de recursos educacionais.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
<p></p>
<cite>A Educação Intercultural Bilíngue fez progressos significativos na formação de professores, no desenvolvimento curricular e na produção de recursos educacionais.</cite></blockquote>



<p><a href="https://dspace.ups.edu.ec/handle/123456789/19531" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em 1988, fruto da pressão do movimento indígena e das negociações com o governo de Rodrigo Borja Cevallos, a educação indígena foi reconhecida pelo Estado equatoriano por meio do Decreto Executivo 203</a>. Assim, foi criada a Direção Nacional de Educação Intercultural Bilíngue, com o objetivo de capacitar os povos e nacionalidades indígenas, por meio de suas organizações, a assumir a direção, o planejamento e a gestão integral da educação indígena em nível nacional.</p>



<p>Ao longo dessas três décadas e mais de existência institucionalizada, a Educação Intercultural Bilíngue fez progressos significativos em diversas áreas: formação de professores, desenvolvimento curricular e produção de recursos educacionais. Mas também passou por sérias tensões e retrocessos. A vitalidade e o progresso da EIB dependem não apenas da prioridade que as organizações indígenas lhe atribuem em suas agendas políticas, mas também da visão e da vontade política dos diversos governos no poder.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="665" height="446" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-2-1.jpg" alt="" class="wp-image-14662" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-2-1.jpg 665w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-2-1-300x201.jpg 300w" sizes="auto, (max-width: 665px) 100vw, 665px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Dolores Cacuango no Congresso Latino-Americano da Confederação de Trabalhadores Latino-Americanos em Cali, Colômbia (1944). O líder Kichwa desempenhou um papel fundamental na criação das escolas clandestinas. <strong>Foto: </strong><a href="https://revistas.upn.edu.co/index.php/RCE/article/view/3247" target="_blank" rel="noreferrer noopener">María Isabel González Arquivo Terreros</a></em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>O panorama atual: a ausência de presença nas áreas urbanas</strong></h3>



<p>Não há dados sobre a qualidade da Educação Intercultural Bilíngue no país, pois os relatórios do Instituto Nacional de Avaliação Educacional não diferenciam entre os resultados de aprendizagem nas duas jurisdições educacionais: intercultural (anteriormente chamada de &#8220;jurisdição hispânica&#8221;) e intercultural bilíngue. Além disso, não há critérios específicos para avaliar a qualidade da EIB.</p>



<p><a href="https://educacion.gob.ec/datos-abiertos/" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Em relação à cobertura, verifica-se que a EIB atende um total de 131.282 alunos nos três níveis de ensino: inicial, básico geral e médio, o que constitui 3,12% da população estudantil de todo o país</a>. Este é um fato preocupante porque destaca o baixo nível de cobertura em um país onde 7,7% da população se identifica como indígena.</p>



<p>Ao mesmo tempo, enquanto 80% dos estudantes que optam pela EIB se identificam como indígenas, o restante se identifica como mestiço, afrodescendente, montubio e branco. Dos estudantes indígenas, a maioria pertence às nacionalidades Kichwa e Shuar (64,73 e 24,12 por cento, respectivamente), ou seja, as duas nacionalidades mais numerosas do país. Em seguida, em importância numérica, estão os estudantes das nacionalidades Chachi, Achuar e Awa e, em porcentagens mínimas, os estudantes de outras nacionalidades.</p>



<p>Um fato relacionado à cobertura é que a maioria dos estudantes da EIB no Equador vive em áreas rurais: 70,49%. Esse aspecto reflete o fato de que 73,87% da população indígena vive em áreas rurais e também sugere pistas sobre uma das atuais fragilidades da EIB: sua disponibilidade limitada em áreas urbanas.</p>



<p>Um aspecto que vale destacar e que o diferencia de alguns países da região, é que a EIB no Equador tem alcance nacional: opera em 23 das 24 províncias, incluindo Galápagos, onde há várias décadas ocorre um processo sustentado de migração indígena. As províncias onde os estudantes estão concentrados estão localizadas na Amazônia e na Serra Central.</p>



<p>Por fim, é importante destacar que, para atender seus alunos, a EIB conta atualmente com 9.146 professores atuando em 1.710 instituições de ensino de diferentes níveis (pré-escola, ensino fundamental geral, ensino médio e misto), porte e status. Do total, a maioria atua em áreas rurais.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="576" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-3-1024x576.jpeg" alt="" class="wp-image-14663" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-3-1024x576.jpeg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-3-300x169.jpeg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-3-768x432.jpeg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-3.jpeg 1280w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Dia de aula em uma escola de Educação Intercultural Bilíngue na Província de Bolívar. <strong>Foto: </strong>Universidade Politécnica Salesiana</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>A organização da proposta educacional</strong></h3>



<p>No Equador, a Educação Intercultural Bilíngue é baseada no <a href="https://educacion.gob.ec/wp-content/uploads/downloads/2014/03/MOSEIB.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Modelo de Sistema de Educação Intercultural Bilíngue</a>, construído pelos povos indígenas e aprovado em 1993, cinco anos após a educação indígena ter sido reconhecida pelo Estado. Este modelo define com precisão não apenas os princípios, objetivos, fundamentos e estratégias da EIB, mas também diversos critérios para a organização e desenvolvimento do processo educacional: calendário escolar, proficiência linguística, metodologia de sala de aula e avaliação da aprendizagem.</p>



<p><a href="https://educacion.gob.ec/wp-content/uploads/downloads/2014/03/MOSEIB.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A EIB está organizada em dois níveis: educação geral básica intercultural bilíngue e bacharelado intercultural bilíngue</a>. A primeira, por sua vez, contempla duas etapas: a etapa não escolar, que considera a educação infantil familiar-comunitária; e a fase escolar, que compreende os primeiros dez anos de estudo e é organizada em torno de quatro processos sequenciais. Essas instâncias são a inserção nos processos semióticos; fortalecimento cognitivo, afetivo e psicomotor; o desenvolvimento de habilidades e técnicas de estudo; e o processo de aprendizagem investigativa. O bacharelado intercultural bilíngue, por sua vez, abrange os três últimos anos de estudo antes do ingresso no ensino superior.</p>



<p>Para atuar em cada um desses níveis, o Sistema de Educação Intercultural Bilíngue conta com currículos específicos, aprovados em 2017 e que são adaptações do currículo nacional. Para o nível básico, há 14 currículos específicos, um para cada nacionalidade indígena. Já para o ensino médio, foi elaborada uma proposta, denominada <a href="https://siteal.iiep.unesco.org/bdnp/2979/ampliacion-curricular-bachillerato-general-unificado-intercultural-bilingue" target="_blank" rel="noreferrer noopener">Extensão Curricular para a Escola Geral Unificada Intercultural Bilíngue</a>, que busca complementar os temas do currículo nacional.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="768" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-4-1024x768.jpg" alt="" class="wp-image-14664" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-4-1024x768.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-4-300x225.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-4-768x576.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-4-1536x1152.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-4-2048x1536.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /><figcaption class="wp-element-caption"><em>Dia de aula na escola Wasankentsa, na província de Morona Santiago. <strong>Foto: </strong>Universidade Politécnica Salesiana</em></figcaption></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Os desafios da nossa própria educação</strong></h3>



<p>O desafio atual mais importante diz respeito à autonomia: o direito e a autoridade das nacionalidades indígenas de definir sua educação de acordo com suas necessidades e visão política. Esta é uma condição básica para a concepção e gestão de uma educação com relevância cultural, linguística, social e política. As organizações buscam restaurar o status que tinham até 2008: quando controlavam a nomeação de autoridades, a definição de propostas curriculares, a gestão integral do processo educacional e a formação de seus professores. <a href="https://dspace.ups.edu.ec/bitstream/123456789/29221/15/Entre%20conflicto%20y%20resolucio%CC%81n.pdf" target="_blank" rel="noreferrer noopener">A conquista da autonomia educacional constitui um dos elementos centrais da plurinacionalidade reconhecida pela Constituição Política</a>.</p>



<p>Um segundo desafio importante diz respeito à necessidade de reformulação das propostas curriculares. Embora tenham currículos próprios, eles acabaram sendo adaptações do chamado &#8220;currículo nacional&#8221; porque, na prática, é o currículo da população branca, mestiça, de classe média e urbana. A Confederação de Nacionalidades Indígenas do Equador (CONAIE) propõe a necessidade de propostas curriculares que respondam às necessidades e problemáticas atuais dos povos indígenas e apoiem a realização de seu projeto político.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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<cite>A maioria dos professores do Sistema de Educação Intercultural Bilíngue pertence à nacionalidade Kichwa (70,95%), seguida dos professores Shuar (18,76%). No entanto, há muito poucos professores de outras nacionalidades.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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<cite>A maioria dos professores pertence à nacionalidade Kichwa (70,95%), seguida dos professores Shuar (18,76%). Mas há muito poucos professores de outras nacionalidades.</cite></blockquote>



<p>Nos últimos anos, surgiram propostas curriculares interessantes de algumas localidades da Serra e da Amazônia, que podem muito bem servir de guia e contribuição para esse processo. É claro que qualquer iniciativa de reformulação curricular deve ser flexível o suficiente para acomodar o treinamento básico e comum, mas também as exigências diferenciadas dos povos e nacionalidades indígenas. Não estamos nos referindo apenas à questão da língua e da cultura, mas também aos aspectos organizacionais, territoriais e políticos.</p>



<p>Um terceiro desafio tem a ver com a formação de professores. Embora tenha havido progresso significativo nessa questão nas últimas três décadas, ainda há muito a ser feito. O desafio nessa área não tem a ver apenas com o aumento de professores que exigem um perfil específico, mas também com o aumento de professores de todas as nacionalidades. A maioria dos professores do Sistema EIB pertence à nacionalidade Kichwa (70,95%), seguida dos professores Shuar (18,76%). No entanto, há muito poucos professores de outras nacionalidades.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="1024" height="683" src="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-5-1024x683.jpg" alt="" class="wp-image-14665" srcset="https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-5-1024x683.jpg 1024w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-5-300x200.jpg 300w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-5-768x512.jpg 768w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-5-1536x1024.jpg 1536w, https://debatesindigenas.org/wp-content/uploads/2025/04/Ecuador-Marzo-2025-5-2048x1365.jpg 2048w" sizes="auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<h3 class="wp-block-heading"><strong>Coordenação interinstitucional e produção de recursos</strong></h3>



<p>A proposta acima levanta a necessidade de ativar um esforço coordenado entre as universidades equatorianas, o Sistema de Educação Intercultural Bilíngue e as organizações indígenas, com o objetivo de construir um projeto de formação de professores sólido e sustentado que considere a diversidade interna da população indígena, com ênfase especial nas nacionalidades com menor número de professores.</p>



<p>Ligado ao ponto anterior está o desafio em torno da produção de recursos e materiais educacionais. Apesar do trabalho realizado ao longo dessas três décadas, ainda são escassos recursos e materiais educacionais nas diversas línguas indígenas que considerem as especificidades culturais, sociais e políticas dos diferentes povos e nacionalidades.</p>



<blockquote class="wp-block-quote destacado pc-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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<cite>A oferta de Educação Intercultural Bilíngue para áreas urbanas é limitada, e a tendência de migração do campo para a cidade está aumentando. As novas gerações que vivem em ambientes urbanos estão pedindo uma reformulação dos orçamentos da EIB.</cite></blockquote>



<blockquote class="wp-block-quote destacado cel-only is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow">
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<cite>A oferta de Educação Intercultural Bilíngue para áreas urbanas é limitada, e a tendência de migração do campo para a cidade está aumentando.</cite></blockquote>



<p>Por último, mas não menos importante, há o desafio de atender às novas gerações da população indígena em contextos urbanos. A oferta de Educação Intercultural Bilíngue para áreas urbanas é limitada, e a tendência de migração do campo para a cidade está aumentando. Atender às novas gerações que vivem em ambientes urbanos exige repensar várias das premissas sob as quais a EIB foi fundada e tem operado, bem como acompanhar as necessidades de treinamento desses setores.</p>



<p>Vale destacar que algo semelhante deveria ser feito para os setores da população indígena que vivem no exterior, já que o processo migratório em curso é um fenômeno que cresce ao longo do tempo e é aparentemente irreversível. Todo o desenvolvimento que a educação virtual teve nos últimos anos, mas especialmente desde a pandemia, pode ser uma contribuição importante para a educação dos indígenas equatorianos que vivem em outros países.</p>
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