julho 2026

Em todo o mundo, mecanismos de mercado vêm sendo promovidos como respostas supostamente inovadoras às crises climática e da biodiversidade. No entanto, esses mecanismos estão reconfigurando rapidamente o controle sobre os territórios indígenas. Os créditos de carbono e de biodiversidade transformam florestas e ecossistemas em ativos negociáveis, permitindo que atividades poluentes continuem operando praticamente sem mudanças, ao mesmo tempo em que intensificam as pressões sobre as terras administradas pelos Povos Indígenas. Analisamos a arquitetura global dos mercados de carbono, desde o REDD+ até o Artigo 6 do Acordo de Paris, e exploramos como salvaguardas como o Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) são sistematicamente enfraquecidas ou contornadas, dando origem a contratos opacos, expropriação e conflitos internos. Ao mesmo tempo, destacamos estratégias impulsionadas pelos próprios Povos Indígenas, baseadas na organização coletiva, na defesa de direitos e no acesso direto ao financiamento para o clima e a biodiversidade, colocando os direitos territoriais e a autodeterminação no centro de qualquer abordagem verdadeiramente transformadora.

Em todo o mundo, mecanismos de mercado vêm sendo promovidos como respostas supostamente inovadoras às crises climática e da biodiversidade. No entanto, esses mecanismos estão reconfigurando rapidamente o controle sobre os territórios indígenas. Os créditos de carbono e de biodiversidade transformam florestas e ecossistemas em ativos negociáveis, permitindo que atividades poluentes continuem operando praticamente sem mudanças, ao mesmo tempo em que intensificam as pressões sobre as terras administradas pelos Povos Indígenas. Analisamos a arquitetura global dos mercados de carbono, desde o REDD+ até o Artigo 6 do Acordo de Paris, e exploramos como salvaguardas como o Consentimento Livre, Prévio e Informado (CLPI) são sistematicamente enfraquecidas ou contornadas, dando origem a contratos opacos, expropriação e conflitos internos. Ao mesmo tempo, destacamos estratégias impulsionadas pelos próprios Povos Indígenas, baseadas na organização coletiva, na defesa de direitos e no acesso direto ao financiamento para o clima e a biodiversidade, colocando os direitos territoriais e a autodeterminação no centro de qualquer abordagem verdadeiramente transformadora.

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Mercados de carbono e povos indígenas: entre falsas soluções e decisões impostas

Os mercados de carbono, promovidos por governos, empresas e ONGs internacionais de conservação, estão se expandindo rapidamente para territórios indígenas na África, Ásia e América Latina. Para muitos povos indígenas, esses mecanismos representam um padrão familiar de controle externo sobre suas terras, agora falsamente justificado sob uma bandeira verde. Em vez de abordar as causas profundas das mudanças climáticas, mecanismos como o REDD+ reinterpretam os territórios indígenas como “reservatórios de carbono” destinados a compensar a poluição gerada em outros lugares: uma forma de colonialismo climático que reconfigura o poder e a governança da terra, ao mesmo tempo que permite que as economias extrativistas continuem operando.

Paine Eulalia Mako, Tunga Bhadra Rai, Gideon Sanago, Rosario Carmona, Stefan Thorsell

junho 2026

Na América do Sul, o extrativismo avança cada vez mais sobre os territórios indígenas. Por um lado, a expansão da pecuária e a abertura de estradas penetram nas florestas do Chaco paraguaio, onde vivem os Ayoreo em isolamento voluntário. Por outro lado, a mineração de lítio, a vitivinicultura e o turismo impactam as comunidades indígenas do noroeste da Argentina. Também continuamos acompanhando a realidade do Ártico, uma região que abriga mais de 500 mil indígenas do povo Sami e se estende por cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados. Por fim, analisamos as barreiras estruturais que limitam o acesso à justiça das mulheres indígenas no Nepal e expressamos nossa profunda tristeza pelo falecimento de Brooklyn Rivera sob custódia do governo da Nicarágua, após seu desaparecimento forçado em setembro de 2023.

Na América do Sul, o extrativismo avança cada vez mais sobre os territórios indígenas. Por um lado, a expansão da pecuária e a abertura de estradas penetram nas florestas do Chaco paraguaio, onde vivem os Ayoreo em isolamento voluntário. Por outro lado, a mineração de lítio, a vitivinicultura e o turismo impactam as comunidades indígenas do noroeste da Argentina. Também continuamos acompanhando a realidade do Ártico, uma região que abriga mais de 500 mil indígenas do povo Sami e se estende por cerca de 30 milhões de quilômetros quadrados. Por fim, analisamos as barreiras estruturais que limitam o acesso à justiça das mulheres indígenas no Nepal e expressamos nossa profunda tristeza pelo falecimento de Brooklyn Rivera sob custódia do governo da Nicarágua, após seu desaparecimento forçado em setembro de 2023.

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maio 2026

Enquanto o Ártico vive um momento decisivo devido à crise das mudanças climáticas e à perda de biodiversidade, a Groenlândia, um de seus territórios-chave, observa atentamente a crescente pressão geopolítica sobre seus recursos naturais. Paralelamente, comemoram-se 25 anos da criação do mandato do Relator Especial sobre os Direitos dos Povos Indígenas: um mecanismo do Conselho de Direitos Humanos que se consolidou como um dos principais instrumentos internacionais de proteção e promoção dos direitos indígenas.

Enquanto o Ártico vive um momento decisivo devido à crise das mudanças climáticas e à perda de biodiversidade, a Groenlândia, um de seus territórios-chave, observa atentamente a crescente pressão geopolítica sobre seus recursos naturais. Paralelamente, comemoram-se 25 anos da criação do mandato do Relator Especial sobre os Direitos dos Povos Indígenas: um mecanismo do Conselho de Direitos Humanos que se consolidou como um dos principais instrumentos internacionais de proteção e promoção dos direitos indígenas.

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abril 2026

El respeto de los derechos indígenas suele ser un reflejo de la humanidad. En este especial, Debates Indígenas cubre la desaparición forzada del histórico líder nicaragüense Brooklyn Rivera, la detención en Rusia de la defensora de derechos selkup Daria Egereva y la falta de cumplimiento del Estado argentino de la sentencia de la Corte IDH a favor de Lhaka Honhat. Paralelamente, abordamos el creciente debate sobre los bonos de carbono y la mercantilización de los territorios indígenas, y continuamos cubriendo el acceso a la justicia de las mujeres indígenas.

El respeto de los derechos indígenas suele ser un reflejo de la humanidad. En este especial, Debates Indígenas cubre la desaparición forzada del histórico líder nicaragüense Brooklyn Rivera, la detención en Rusia de la defensora de derechos selkup Daria Egereva y la falta de cumplimiento del Estado argentino de la sentencia de la Corte IDH a favor de Lhaka Honhat. Paralelamente, abordamos el creciente debate sobre los bonos de carbono y la mercantilización de los territorios indígenas, y continuamos cubriendo el acceso a la justicia de las mujeres indígenas.

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março 2026

Em Ásia, África e América Latina, mulheres e meninas indígenas enfrentam violência interseccional. No cotidiano, seus direitos são sistematicamente violados em razão do gênero, da identidade e da classe social. Estupros, agressões sexuais, restrições ao direito à herança, criminalização e condições precárias de detenção figuram entre as principais violações que sofrem. A essas violências somam-se barreiras culturais e práticas discriminatórias que dificultam o acesso à justiça. Diante da impunidade, mulheres indígenas promovem processos de organização e fortalecimento comunitário.

Em Ásia, África e América Latina, mulheres e meninas indígenas enfrentam violência interseccional. No cotidiano, seus direitos são sistematicamente violados em razão do gênero, da identidade e da classe social. Estupros, agressões sexuais, restrições ao direito à herança, criminalização e condições precárias de detenção figuram entre as principais violações que sofrem. A essas violências somam-se barreiras culturais e práticas discriminatórias que dificultam o acesso à justiça. Diante da impunidade, mulheres indígenas promovem processos de organização e fortalecimento comunitário.

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fevereiro 2026

Em diferentes territórios da América Latina, da Ásia e da África, os Povos Indígenas enfrentam conflitos marcados pela militarização, pelo despojo territorial e pela imposição de projetos extrativistas e de desenvolvimento. Longe de serem cenários passivos, esses territórios são espaços de resistência, negociação e construção da paz. Em contextos atravessados por violências estatais e não estatais, as comunidades indígenas sustentam práticas próprias de reconciliação, justiça e governo. Assim, a paz não aparece como um acordo fechado, mas como um processo vivo, ancorado no território, na memória e na autodeterminação.

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A paz como um sistema vivo: perspectivas indígenas na voz de Leonor Zalabata Torres

Leonor Zalabata Torres é uma líder indígena colombiana do povo Arhuaco da Sierra Nevada de Santa Marta. Ela participou do processo constitucional de 1991 e atualmente é Representante Permanente da Colômbia nas Nações Unidas. Tornou-se a primeira mulher indígena a ocupar esse cargo e a representar o país no Conselho de Segurança. Discutir sobre conflito e paz com Leonor Zalabata exige ir além dos padrões usuais. Em sua visão, a paz não é um armistício legal ou um pacto entre "partes", mas uma condição mais profunda: a estabilidade da vida.

Laura Galvis Santacruz

dezembro 2025

Do Equador e da Colômbia à Suécia e ao Nepal, os Povos Indígenas enfrentam a violência estatal, a pressão por minerais críticos e o avanço sobre seus territórios. Ao mesmo tempo, na Bolívia consolida-se uma nova autonomia; no Chile, um livro recupera a memória de mulheres mapuche; e no México abre-se o debate sobre a interculturalidade.

Do Equador e da Colômbia à Suécia e ao Nepal, os Povos Indígenas enfrentam a violência estatal, a pressão por minerais críticos e o avanço sobre seus territórios. Ao mesmo tempo, na Bolívia consolida-se uma nova autonomia; no Chile, um livro recupera a memória de mulheres mapuche; e no México abre-se o debate sobre a interculturalidade.

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novembro 2025

A exploração de combustíveis fósseis gera graves impactos nos territórios indígenas. Os projetos petrolíferos, carboníferos e gasíferos provocam deslocamento, contaminação e violação de direitos. Desde os derramamentos no Lote 192, no Peru, até a modificação do curso de um rio em La Guajira, na Colômbia; do oleoduto na Tanzânia à extração de lítio na América do Sul. Os Povos Indígenas resistem e exigem uma transição justa.

A exploração de combustíveis fósseis gera graves impactos nos territórios indígenas. Os projetos petrolíferos, carboníferos e gasíferos provocam deslocamento, contaminação e violação de direitos. Desde os derramamentos no Lote 192, no Peru, até a modificação do curso de um rio em La Guajira, na Colômbia; do oleoduto na Tanzânia à extração de lítio na América do Sul. Os Povos Indígenas resistem e exigem uma transição justa.

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A cortina de fumaça da energia limpa: a proibição de combustíveis fósseis em Quebec e o boom da mineração em terras indígenas

O envolvimento do Departamento de Defesa dos EUA em projetos como Lomiko e Strange Lake demonstra como as narrativas sobre energia limpa podem se alinhar a objetivos militares. Minerais como grafite, lítio, elementos de terras raras e níquel são essenciais não apenas para baterias de veículos elétricos, mas também para a indústria militar. Quebec enfrenta uma escolha: manter seus compromissos com os direitos indígenas e a justiça climática, ou alinhar-se discretamente às prioridades militares dos EUA.

Earthworks

outubro 2025

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O Navegador Indígena: da coleta de dados à autodeterminação

O Navegador Indígena é uma iniciativa criada para apoiar os povos indígenas por meio de dados. Em operação há mais de 10 anos, o programa gerou informações de comunidades na América Latina, África e Ásia. O processo de pesquisa conscientiza as comunidades sobre seus direitos e atua como um catalisador para a reflexão coletiva. Dessa forma, a ferramenta proporciona aos povos indígenas e suas organizações de apoio acesso a dados sistemáticos que fortalecem sua capacidade de reivindicar seus direitos. Assim, o verdadeiro empoderamento não advém da imposição de soluções, mas de equipar as comunidades com as ferramentas necessárias para definir seu próprio futuro.

Tora Jensen

setembro 2025

Desde a década de 1970, os Povos Indígenas de todo o mundo têm promovido profundos movimentos em defesa de seus direitos territoriais. As experiências demonstram que as práticas cartográficas contribuem para documentar e organizar ações nos territórios indígenas: evidenciar os impactos de projetos de desenvolvimento e do extrativismo, preservar a memória e combater a impunidade. Além disso, os mapas permitem que fortaleçam sua posição nas disputas pelos bens comuns, impulsionem os planos de bem-viver e exerçam plenamente sua autonomia.

Desde a década de 1970, os Povos Indígenas de todo o mundo têm promovido profundos movimentos em defesa de seus direitos territoriais. As experiências demonstram que as práticas cartográficas contribuem para documentar e organizar ações nos territórios indígenas: evidenciar os impactos de projetos de desenvolvimento e do extrativismo, preservar a memória e combater a impunidade. Além disso, os mapas permitem que fortaleçam sua posição nas disputas pelos bens comuns, impulsionem os planos de bem-viver e exerçam plenamente sua autonomia.

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Território, autonomia e cartografia na Amazônia peruana

O Estado peruano violou acordos internacionais que protegem os direitos indígenas ao promover uma política agressiva de extração de recursos naturais e desenvolvimento de megaprojetos. Seguindo a noção de território integral e o direito à autodeterminação, os povos indígenas da Amazônia começaram a demarcar seus territórios por conta própria, sem a aprovação do Estado. A experiência do Governo Territorial Autônomo da Nação Wampís iniciou um processo que outros povos estão replicando.

Alexandre Surrallés

agosto 2025

En los últimos años, el avance del narcotráfico, la invasión de colonos y la expansión de la minería vienen generando una serie de desplazamientos de comunidades de toda Latinoamérica. Las amenazas, los asesinatos, el conflicto entre cárteles, la extracción del oro y el reclutamiento forzado de jóvenes son las principales causas de los desplazamientos. Ante la inacción estatal, las familias indígenas no tienen otra opción que abandonar sus hogares para proteger sus vidas.

En los últimos años, el avance del narcotráfico, la invasión de colonos y la expansión de la minería vienen generando una serie de desplazamientos de comunidades de toda Latinoamérica. Las amenazas, los asesinatos, el conflicto entre cárteles, la extracción del oro y el reclutamiento forzado de jóvenes son las principales causas de los desplazamientos. Ante la inacción estatal, las familias indígenas no tienen otra opción que abandonar sus hogares para proteger sus vidas.

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Deslocamento forçado de povos indígenas: o papel do Sistema Interamericano de Direitos Humanos

Este artigo é uma versão condensada da apresentação intitulada "Direitos humanos e deslocamento forçado de povos indígenas: parâmetros interamericanos e o papel da CIDH no enfrentamento dos desafios atuais", proferida no Seminário Internacional sobre Deslocamento Forçado de Comunidades Indígenas na América Latina, realizado em Cartagena das Índias, Colômbia, em maio de 2025.

Andrea Pochak